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Discord demora para remover servidores denunciados por crimes graves

Relatórios da Polícia Civil apontam demora do Discord para remover servidores ligados a crimes e riscos a menores no Brasil.

4 min de leitura
Discord demora para remover servidores denunciados por crimes graves

Relatórios da Polícia Civil de São Paulo apontam que o Discord levou quase 17 dias para retirar do ar um servidor denunciado por práticas criminosas. O material reúne 63 comunicações emergenciais feitas entre maio de 2025 e janeiro deste ano.

  • 34 casos relacionados à automutilação.
  • 15 de incitação ao suicídio ou suicídio.
  • 10 de maus-tratos ou crueldade contra animais.
  • sete situações de abuso sexual infantil.
  • Justiça marca audiência de conciliação entre governo e Discord.
  • Discord não entra em acordo com governo, que vai à Justiça.
  • Após ordem da ANPD, Discord passa a ser fiscalizado pelo MPF.

Segundo a GloboNews, os documentos indicam que a plataforma demorou, em média, 17 horas para responder aos alertas. Entre os casos estavam automutilação, suicídio, estupros virtuais, abuso sexual infantil e maus-tratos a animais.

Os relatórios foram elaborados pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil, e compartilhados com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

O material ainda deve ser encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU).

Na avaliação dos investigadores, o Discord não oferece mecanismos adequados para restringir o acesso de menores a conteúdos impróprios ou ilícitos. A polícia também aponta fragilidades no cadastro: seria possível entrar na plataforma sem fornecer informações suficientes para uma identificação confiável.

Também aparecem ocorrências de exploração sexual de crianças e adolescentes, ataques ou incêndios contra pessoas em situação de rua e apologia ao terrorismo. Um mesmo servidor podia reunir mais de uma dessas práticas.

O episódio mais demorado começou em 15 de julho do ano passado. Às 14h45, a polícia avisou o Discord sobre um servidor que planejava realizar, naquele mesmo dia, um evento envolvendo o sacrifício de gatos.

O Noad reiterou o pedido. Sete dias depois, recebeu uma negativa para a remoção, sem justificativa. O servidor só foi retirado 16 dias, 18 horas, 29 minutos e 33 segundos após o primeiro alerta e as demais solicitações.

Outro caso começou em 5 de agosto. A polícia comunicou a existência de um servidor dedicado a práticas como estupros virtuais e automutilações. A remoção ocorreu 188 horas e 23 minutos depois, em 13 de agosto.

Para os investigadores, o problema começa antes mesmo da análise do pedido. Os prazos registrados não incluem o tempo gasto para acessar o sistema do Discord, preencher os formulários exigidos e demonstrar a urgência da ocorrência.

Em outro caso, resposta veio em 16 minutos.

Houve também uma situação em que a plataforma agiu rapidamente. Em 11 de junho de 2025, o Noad comunicou às 19h43 a existência de um servidor ligado a estupros virtuais, automutilações e incitação ao suicídio.

Às 19h59, a polícia recebeu a informação de que a remoção havia sido feita.

Os investigadores também questionam a criação de contas. Segundo os documentos, usuários poderiam repetir identificações semelhantes em diferentes perfis, sem mecanismos considerados eficazes para impedir a criação sucessiva de contas.

As transmissões ao vivo do Discord estão suspensas no Brasil desde 12 de agosto. A medida foi tomada depois que a ANPD identificou uso recorrente da ferramenta em casos de violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio envolvendo crianças e adolescentes.

Em um dos relatórios, o Noad afirma que “a empresa Discord tem reiteradamente adotado conduta morosa” no tratamento de pedidos de remoção de servidores relacionados a crimes graves.

O Discord também enfrenta ações na Justiça. Nesta quarta-feira (2), está prevista uma audiência de conciliação entre o governo federal e a plataforma na Justiça Federal do Distrito Federal.

Em São Paulo, o Ministério Público entrou com uma ação civil pública no fim de agosto.

A investigação paulista começou em 2023, foi arquivada em 2024 e reaberta em fevereiro de 2026, após novos elementos apontarem dificuldades persistentes na prevenção e interrupção de práticas ilícitas e na cooperação da plataforma com as autoridades.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink