Ir para o conteúdo
Inteligência Artificial Revisado por ULTRA AI

Código promete remover marca d’água invisível do Claude

Código publicado poucas horas após anúncio da Anthropic promete retirar marcações invisíveis de textos gerados pelo Claude

4 min de leitura
Código promete remover marca d’água invisível do Claude

A Anthropic anunciou na semana passada que passaria a incluir marcas d’água invisíveis e legíveis por máquinas em conteúdos gerados pelos modelos Claude. A medida foi apresentada como forma de cumprir novas regras da União Europeia, mas, em poucas horas, desenvolvedores começaram a divulgar métodos que prometem remover a identificação de textos produzidos pela inteligência artificial.

Em até quatro horas após a confirmação da Anthropic, o desenvolvedor Guillaume Meyer publicou um código para retirar as marcas d’água de textos do Claude. O projeto ganhou mais de 20 mil marcações no X, passou a ter mais de 100 colaboradores no GitHub e começou a ser incorporado a outros projetos.

Como funciona a marca d’água do Claude.

A Anthropic utiliza um método que insere a marcação de forma imperceptível na escolha de palavras e frases feita pelo modelo. Para o leitor, o texto permanece aparentemente normal, mas um sistema preparado para procurar o padrão pode identificar que o conteúdo foi produzido pelo Claude.

A técnica utilizada é chamada SynthID e foi desenvolvida pelo Google. A tecnologia já é usada desde 2023 para marcar conteúdos gerados por inteligência artificial.

Um método semelhante chegou a ser proposto pelo cientista da computação Scott Aaronson durante seu trabalho na OpenAI, mas não foi implementado pela empresa devido a preocupações sobre o impacto das marcas d’água no produto.

A Anthropic afirma que a marcação não altera o significado, a qualidade ou a legibilidade das respostas. A empresa também está desenvolvendo uma API para detecção dos textos marcados.

Desenvolvedores tentam contornar identificação.

O método publicado por Meyer utiliza outro modelo de linguagem sem marca d’água para produzir várias versões do mesmo conteúdo. O processo substitui palavras por sinônimos e reorganiza levemente o texto, com o objetivo de eliminar o padrão usado na identificação.

Outros desenvolvedores também apresentaram alternativas. O engenheiro de software Erik Hughes criou uma ferramenta que remove caracteres invisíveis e semelhantes, reorganiza frases dentro de parágrafos e troca algumas palavras por sinônimos.

Já Leon Chlon, Visiting Fellow da Universidade de Oxford, afirma que também é possível remover as marcas condensando a resposta ou traduzindo o conteúdo para um idioma com semântica diferente e depois retornando ao idioma original.

A própria Anthropic reconhece que conteúdos fortemente editados, parafraseados ou traduzidos podem deixar de carregar a marca d’água. A empresa, porém, ainda não disponibilizou o software responsável pela detecção, o que impede confirmar se os métodos divulgados são efetivamente capazes de remover a identificação em todos os casos.

Meyer afirmou à WIRED que algumas pessoas tentam contornar o sistema por discordarem da ideia de que todo conteúdo produzido por IA deveria ser identificado. Outros desenvolvedores, segundo ele, estão interessados principalmente no desafio técnico.

Escritores freelancers e criadores de conteúdo para redes sociais também teriam procurado Meyer em busca de ajuda para utilizar o código.

O desenvolvedor também questiona possíveis falsos positivos e a dificuldade de diferenciar diferentes níveis de uso de inteligência artificial. Ele citou seu próprio caso, como falante nativo de francês que utiliza Claude e ferramentas como o Grammarly para editar textos.

Segundo Meyer, usar a marca d’água como evidência poderia resultar em rejeições injustas de candidatos a empregos ou em acusações exageradas contra pesquisadores.

Isso ocorre porque a própria Anthropic admite que a identificação fornece uma probabilidade de o texto ter sido manipulado pelo Claude, e não uma certeza absoluta.

As novas regras europeias determinam que fornecedores de modelos, como Anthropic e OpenAI, identifiquem conteúdos sintéticos de áudio, imagem, vídeo ou texto de forma que possam ser detectados por máquinas.

O descumprimento pode resultar em multas de até 3% do faturamento anual. Ao mesmo tempo, segundo a reportagem da WIRED, não há restrição legal para ferramentas independentes de contorno.

A Anthropic afirmou à WIRED que pretende disponibilizar em breve uma ferramenta para detectar marcas d’água em textos e que continua trabalhando no aprimoramento do sistema.

Até que o mecanismo oficial de detecção seja lançado, ainda não é possível determinar a eficácia dos métodos de remoção apresentados pelos desenvolvedores.

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Em números

  • O projeto ganhou mais de 20 mil marcações no X, passou a ter mais de 100 colabora

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink