A Uefa, entidade que rege o futebol europeu, afirmou estar preparando uma queixa-crime contra Gianni Infantino por causa do plano malsucedido do presidente da Fifa de vender a investidores privados uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo.
Em documentos apresentados à Justiça dos Estados Unidos, a Uefa afirmou que buscava obter documentos de Joshua Kushner, de sua empresa de investimentos Thrive Capital e do braço da Fifa nas Américas, enquanto dá prosseguimento aos esforços para destituir Infantino do cargo que ocupa na entidade máxima do futebol mundial.
A Thrive Eternal, um veículo de investimento associado, havia sido escolhida para ser a principal investidora em uma nova entidade comercial. Joshua Kushner, fundador das empresas, é irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump.
A Uefa estava "se preparando para apresentar acusações criminais na Suíça contra Infantino e, possivelmente, outros dirigentes e assessores da Fifa por gestão criminosa", diziam os documentos.
A Thrive e a Fifa não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
A medida judicial ocorre no momento em que a Uefa procura manter a pressão sobre Infantino por causa da proposta, que teria separado as atividades comerciais da Fifa de seu papel como entidade dirigente e responsável pelas regras do futebol.
Executivos da Uefa e dirigentes de federações europeias de futebol se reúnem nesta quinta-feira em Monte Carlo para discutir os próximos passos da disputa.
A entidade que rege o futebol europeu ameaçou boicotar todas as competições organizadas pela Fifa, organização suíça sem fins lucrativos, depois que o plano de Infantino veio a público, mas desde então permitiu que suas seleções participassem da próxima Copa do Mundo feminina sub-20, na Polônia.
Dirigentes da Uefa afirmaram acreditar que boicotar uma competição de base não era a melhor forma de confrontar Infantino.
A entidade e seus aliados buscam maneiras alternativas de pressionar pela destituição do presidente da Fifa, uma vez que a próxima Copa do Mundo masculina, sua principal fonte de receita, ainda está a quatro anos de distância.
Infantino reconheceu que as propostas de investimento —que havia apresentado como uma iniciativa lucrativa capaz de ampliar ainda mais o alcance do futebol pelo mundo— foram mal conduzidas e prometeu realizar uma revisão.
Ele busca a reeleição em uma votação dos membros da Fifa em março, e seus críticos ainda não apresentaram um candidato adversário.
O plano de Infantino para vender uma participação havia dividido o futebol mundial: a Uefa e suas entidades congêneres nas Américas e no Caribe rejeitaram as propostas, enquanto a Confederação Africana de Futebol e várias federações de futebol da América do Sul e do Oriente Médio manifestaram apoio ao presidente da Fifa.
A Arábia Saudita, escolhida pela Fifa para sediar a Copa do Mundo de 2034, tornou-se nesta quinta-feira (27) a mais recente apoiadora, ao divulgar um comunicado em que saudava o compromisso de Infantino de abandonar o plano de venda da participação e afirmava que a "contribuição do presidente da Fifa para o crescimento do futebol em todo o mundo ao longo de quase uma década também deve ser reconhecida.
A federação saudita afirmou que "apoia os esforços contínuos" de Infantino e da liderança da Fifa "para restaurar a unidade em toda a família do futebol e continuar promovendo o crescimento do esporte em benefício de todos.
Uefa e Fifa são as duas entidades mais poderosas do futebol e há muito divergem sobre como administrar o esporte.
A Uefa gera bilhões de euros por ano com a Champions League e outras competições europeias, como a Eurocopa.
Sob o comando de Infantino, a Fifa também ampliou suas ambições no futebol de clubes, expandindo a Copa do Mundo de Clubes.