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Esportes Revisado por ULTRA AI

Técnica sem erro, mais velocidade e agressividade nas barreiras levaram Piu a recorde

Melhor do mundo nos 400 metros com barreiras, brasileiro aperfeiçoou sua performance

3 min de leitura
Esportes — imagem padrão

Na segunda barreira, Alison dos Santos já havia feito o que antes não era sua especialidade: largar para cima. Na quarta, tinha alcançado os adversários sem perder velocidade.

Daí até a chegada, sustentou o ritmo e a técnica para construir, barreira a barreira, os 45s80 do novo recorde mundial dos 400 metros com barreiras.

Estabelecida pelo brasileiro na quinta-feira (27), na etapa de Zurique da Diamond League, a marca é resultado de uma consistente evolução técnica.

Para alcançar o feito, Piu, como o paulista é conhecido, combinou uma largada mais agressiva, técnica precisa para atacar os obstáculos e capacidade de sustentar a velocidade até a chegada.

A mudança ajuda a explicar por que conseguiu baixar em quase um segundo a marca de 46s72 registrada nos Jogos de Tóquio.

Foi uma corrida sem erro técnico, sem desacelerar na descida da barreira, entrando de forma agressiva em cada barreira", afirma Evandro Lázari, professor de Atletismo da Unicamp e treinador com mais de 20 convocações para a seleção brasileira, incluindo Jogos Olímpicos e Mundiais.

Para Lázari, o desempenho de Piu reuniu os principais elementos necessários para esse tipo de disputa. "Técnica, velocidade, resistência e força de vontade", resume.

A largada foi uma das principais diferenças em relação ao Alison do início de carreira. O brasileiro costumava fazer uma primeira metade mais controlada e crescer na chegada.

Até a quarta barreira ele foi muito forte, e ele também teve uma chegada muito forte", analisa Jorge Bichara, consultor de esportes do COB (Comitê Olímpico do Brasil).

Ele conseguiu largar forte e manter esse nível. Então ele tinha uma estratégia de alcançar os seus adversários até a quarta barreira e ele conseguiu.

Na segunda barreira, Alison já havia descontado uma pequena desvantagem inicial em vantagem sobre Karsten Warholm.

Lázari vê também um componente físico e técnico nessa transformação. Piu é alto e essa característica pode ajudá-lo na transposição dos obstáculos.

O recorde, portanto, não foi apenas consequência de correr mais rápido, já que nos 400m com barreiras qualquer erro em uma das dez barreiras pode quebrar o ritmo.

Além da estatura, Alison consegue alternar as pernas de ataque, recurso que ajuda a manter a sequência da prova sem depender de um lado específico.

Esse domínio técnico se soma à evolução física. Aos 26 anos, Alison está em um momento diferente de seus principais rivais. Karsten Warholm tem 30, e Rai Benjamin, 29.

O contexto recente mostra o brasileiro em melhor forma.

Enquanto Warholm e Benjamin mantêm como melhores marcas da carreira os tempos obtidos em Tóquio, Alison vem baixando repetidamente seus próprios limites.

Das 34 melhores marcas da história dos 400m com barreiras, 14 pertencem a Warholm, 11 a Benjamin e nove a Alison. Quatro das nove marcas do brasileiro foram obtidas em 2026.

Os 45s80 são, portanto, mais um ponto de uma curva de evolução recente.

Fontes consultadas

  • Folha Esportelink

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