Infelizmente, o Campeonato Brasileiro tem 38 rodadas, apenas. Tivesse 143, Santos e Vasco seriam postulantes ao título, quiçá, com mais chances que esses tais de Flamengo e Palmeiras.
Santos e Vasco têm lindas histórias no futebol, que às vezes até se cruzam —foi no Vasco que Pelé fez seu milésimo gol; e foi o Vasco que sofreu o milésimo gol de Pelé, uma bela coincidência.
Mas o que Santos e Vasco estão fazendo nesta janela de transferências deveria entrar para os anais do futebol mundial, provocar mestrados e doutorados em áreas que podem ir da antropologia à matemática financeira.
Fabricantes de jogos de tabuleiro deveriam fazer um novo Banco Imobiliário inspirado nos dois times —com a propriedade mais cara em Mangaratiba, claro.
Há cerca de um mês, em agosto, o professor santista Cuca reclamou do elenco curto após uma derrota para o Athetico-PR e pediu reforços, o que só poderia acontecer se o clube pagasse para se livrar de um transfer ban.
Prontamente, a diretoria respondeu que a prioridade não era reforçar, mas sim arrumar a casa, pagar dívidas com elenco (devia dinheiro de direitos de imagem).
Mas aí surgiu a dupla de heróis mascarados (mascarados?) do Santos Neymar, o pai e Neymar, o Júnior, que por meio da Neymar Corporation pagou o transfer ban e liberou o clube para contratar Arthur, o jogador-parça —atendendo um pedido/indicação de Júnior.
E aí, de repente, não mais do que de repente, o santista acorda com Arthur, Lima, Rodinei, Everton Cebolinha e Philippe Coutinho, uhu. É o espetáculo do crescimento.
Parece que o primeiro reforço era um Gremlin que se molhou e se multiplicou (daria um ótimo filme).
É possível que o clube da Vila Belmiro tenha que arrendar alguma praia para pagar a dívida que está harmoniosamente construindo com o clã Ney. Mas o importante é que o torcedor santista está feliz.
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