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Esportes Revisado por ULTRA AI

CBV barra atletas trans em competições femininas de vôlei

Confederação diz que decisão

4 min de leitura
Esportes — imagem padrão

A CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) anunciou nesta sexta-feira (14) sua nova política de elegebilidade para atletas em competições femininas, passando a barrar a participação de jogadoras trans.

Até então, a confederação permitia a presença de atletas trans em torneios de mulheres, estabelecendo que elas se submetessem a tratamentos hormonais que mantivessem os níveis de testosterona abaixo de 5 nmol/L —seguindo recomendação da FIMS (Federação Internacional de Medicina do Esporte).

Com a nova decisão, a oposta Tifanny Abreu, do Osasco, fica impedida de seguir atuando por seu clube em competições femininas da modalidade.

Procurada, a atleta não respondeu até a publicação da reportagem.

O Osasco criticou a medida e afirmou ter sido surpreendido pela nova política da CBV.

Tal política foi elaborada sem qualquer participação ou opinião prévia do clube", informou a equipe em nota em suas redes sociais.

O clube disse ainda que, junto com seu departamento jurídico, está avaliando a normativa publicada para definição dos próximos passos.

Em fevereiro, a jogadora chegou a ter sua participação na Copa do Brasil de vôlei feminino proibida por vereadores de Londrina, sede do torneio. A decisão acabou posteriormente revertida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A CBV se adequa ao atual cenário regulatório internacional e à necessidade de assegurar alinhamento entre os critérios aplicáveis às competições nacionais e aqueles adotados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), pela FIVB (Federação Internacional de Voleibol) e pela CSV (Confederação Sul-Americana de Voleibol)", informou a confederação por meio de nota.

A CBV passa a seguir —a partir de hoje— os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI —publicada em março deste ano— que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino", acrescentou.

A verificação será feita por testagem e triagem do gene SRY, regra aprovada em setembro de 2025, incorporada pela FIVB e já aplicada na Liga das Nações.

Sob críticas de grupos LGBTQIA+ e de direitos humanos, entidades esportivas, federações internacionais e governos vêm promovendo um endurecimento das regras sobre a participação de mulheres transgênero em competições e eventos esportivos.

World Aquatics (Natação), World Athletics (Atletismo) e UCI (Ciclismo) foram algumas das federações que adotaram regras mais rígidas nos últimos anos, voltadas à elite do esporte.

A alegação é a de que as ações visam preservar a justiça na categoria feminina e estariam embasadas em supostas vantagens competitivas em relação às atletas cis, devido a exposição à testosterona quando ainda se identificavam com o gênero masculino.

Não há dados científicos sólidos que atestem a vantagem da mulher trans em competições femininias, até mesmo pela amostra muito pequena de atletas de alto rendimento que permitam a realização de estudos", afirmou Rogério Friedman, médico endocrinologista professor titular da Faculdade de Medicina da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e consultor da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem).

Toda essa discussão em torno da participação de mulheres trans no esporte acontece em um contexto de pouca evidência científica, e acaba sendo muito influenciada por questões políticas, ideológicas, além de parecer ter também um componente de preconceito", acrescentou o especialista.

Professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), fundador do Centro de Medicina do Estilo de Vida e colunista da Folha, Bruno Gualano assinalou que uma metanálise concluída no ano passado que compilou 51 estudos já publicados sobre o tema, englobando 6.

400 participantes, não mostrou que há claras evidências de vantagem das atletas trans.

Os apontamentos indicaram ligeiro aumento de massa magra em favor de mulheres trans. Não foram verificadas, no entanto, alterações relevantes de massa gorda, força dos membros inferiores e superiores e capacidade aeróbica.

Acho que as decisões do COI e da CBV são um retrocesso do ponto de vista da inclusão, da não discriminação, da dignidade humana, que são valores inegociáveis do esporte, ou deveriam ser", afirmou Gualano.

O banimento completo é uma medida muito forte, que deveria exigir evidências empíricas tão fortes quanto", disse o acadêmico.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Esporte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Esportelink

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