Rosalina Santa Cruz, importante personagem da resistência à ditadura militar, e seu irmão, Fernando Santa Cruz, preso político desaparecido em 1974, terão suas histórias transformadas em ficção no livro Projeto Futuro (ed.
Lista completa
- Rosalina Santa Cruz foi militante de organizações de esquerda durante a ditadura militar, entre elas a Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e a VAR-Palmares.
- Em 1971 e em 1974, foi presa no Rio de Janeiro e passou cerca de um ano detida. Foi submetida a choques elétricos, pau de arara, agressões físicas e à “geladeira”, método de tortura que envolvia confinamento em uma cela fria e escura.
- Seu irmão, Fernando, era estudante e militante da APML. Em 23 de fevereiro de 1974, aos 26 anos, foi preso por agentes da repressão no Rio de Janeiro e desapareceu.
- Rosalina passou a procurar informações sobre Fernando e a denunciar seu desaparecimento. Documentos encontrados posteriormente comprovaram que ele havia sido preso pelo Estado, apesar das negativas da ditadura.
- A Comissão Nacional da Verdade concluiu que Fernando foi assassinado pela repressão. Há diferentes hipóteses sobre o local de sua morte, incluindo o DOI-CODI de São Paulo e a Casa da Morte, em Petrópolis. Seus restos mortais nunca foram encontrados.
- Atualmente, Rosalina atua na defesa dos direitos humanos e da memória dos desaparecidos políticos, além de construir carreira acadêmica como professora e pesquisadora na área de Serviço Social.
País Nenhum), de Danilo Heitor. O livro acompanha Soraia e Leilane, duas amigas prestes a concluir o ensino médio. Ao ler acidentalmente um e-mail, elas descobrem um projeto secreto iniciado durante a ditadura militar, que usava presos políticos como cobaias em experimentos de viagem no tempo.
Décadas depois, o projeto é retomado, sem qualquer limite ético. Quem é Rosalina e quem foi Fernando? Rosalina Santa Cruz foi militante de organizações de esquerda durante a ditadura militar, entre elas a Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e a VAR-Palmares.
Em 1971 e em 1974, foi presa no Rio de Janeiro e passou cerca de um ano detida. Foi submetida a choques elétricos, pau de arara, agressões físicas e à “geladeira”, método de tortura que envolvia confinamento em uma cela fria e escura.
Seu irmão, Fernando, era estudante e militante da APML. Em 23 de fevereiro de 1974, aos 26 anos, foi preso por agentes da repressão no Rio de Janeiro e desapareceu.
Rosalina passou a procurar informações sobre Fernando e a denunciar seu desaparecimento. Documentos encontrados posteriormente comprovaram que ele havia sido preso pelo Estado, apesar das negativas da ditadura.
A Comissão Nacional da Verdade concluiu que Fernando foi assassinado pela repressão. Há diferentes hipóteses sobre o local de sua morte, incluindo o DOI-CODI de São Paulo e a Casa da Morte, em Petrópolis.
Seus restos mortais nunca foram encontrados. Atualmente, Rosalina atua na defesa dos direitos humanos e da memória dos desaparecidos políticos, além de construir carreira acadêmica como professora e pesquisadora na área de Serviço Social.“Não é mais fácil encarar [tudo o que passamos] como uma ficção.
Ainda me deixa insone, sem dormir; é muito difícil o que eu passei. Passei pela geladeira, o emparedamento, choque elétrico, passei por estar de capuz o tempo inteiro, que é uma forma de você perder a noção de espaço, de tempo”, relata Rosalina.
Além de exaltar o autor e afirmar que a história de presos e mortos na ditadura precisa chegar a uma população mais jovem, a ativista se emociona ao ver as dores que enfrentou nas páginas.
Yara Lopes/ Alesp2 de 3Ela é ativista e sobrevivente do período de repressão. 3 de 3Danilo Heitor é autor do livro Projeto Futuro (Ed. País Nenhum)Divulgação s Milena TeixeiraPSol cobra Motta após Câmara vetar termo “ditadura militar” em livro Milena TeixeiraLula vai aparecer no horário eleitoral com livros que leu na prisão O que é verdade.
Apesar da boa dose de ficção-científica, Danilo — filho de militantes perseguidos pelo regime — mantém os nomes reais de Rosalina e Fernando para aproximar crianças e jovens de um período que, para eles, é apenas uma narrativa de um livro de história.“Eu sou professor do fundamental II e do ensino médio.
Os meus estudantes são pessoas muito jovens. A ditadura, para eles, está muito distante, é meio que assunto chato de livro didático. Eu quis pegar esse conteúdo, que considero muito importante, e trazê-lo para a sala de aula com uma linguagem mais próxima do dia a dia deles.
A ficção científica me pareceu interessante para capturar a atenção que eu precisava”, diz. Ele diz ainda que a viagem no tempo tem importante papel na trama: “A ideia da viagem no tempo dialoga com a memória dos desaparecidos políticos.
São pessoas sequestradas, torturadas e mortas pelo Estado, e de quem só sabemos porque os parentes e companheiros lutam para contar e descobrir suas histórias”.“Na vida real, elas ‘reaparecem’ no presente por meio do que as pessoas próximas contam sobre elas.
No livro, transformá-los em viajantes do tempo é uma metáfora para esse processo, e a descoberta dessa viagem por parte das protagonistas funciona como metáfora da luta pelo descobrimento sobre o que realmente aconteceu com eles”, finaliza.
Livro Projeto Futuro é assinado por Danilo Heitor.
Quem é Rosalina e quem foi Fernando.
Rosalina Santa Cruz inspira o livro de ficção que retrata uma viagem ao tempo da ditadura militar.
Danilo Heitor é autor do livro Projeto Futuro (Ed. País Nenhum).