Ir para o conteúdo
Entretenimento Revisado por ULTRA AI

Livro transforma história de irmãos perseguidos na ditadura em ficção

O livro Projeto Futuro tem como personagens Rosalina e Fernando Santa Cruz e espera contar a ditadura militar para jovens em forma de ficção

5 min de leitura
Livro transforma história de irmãos perseguidos na ditadura em ficção

Rosalina Santa Cruz, importante personagem da resistência à ditadura militar, e seu irmão, Fernando Santa Cruz, preso político desaparecido em 1974, terão suas histórias transformadas em ficção no livro Projeto Futuro (ed.

Lista completa

  • Rosalina Santa Cruz foi militante de organizações de esquerda durante a ditadura militar, entre elas a Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e a VAR-Palmares.
  • Em 1971 e em 1974, foi presa no Rio de Janeiro e passou cerca de um ano detida. Foi submetida a choques elétricos, pau de arara, agressões físicas e à “geladeira”, método de tortura que envolvia confinamento em uma cela fria e escura.
  • Seu irmão, Fernando, era estudante e militante da APML. Em 23 de fevereiro de 1974, aos 26 anos, foi preso por agentes da repressão no Rio de Janeiro e desapareceu.
  • Rosalina passou a procurar informações sobre Fernando e a denunciar seu desaparecimento. Documentos encontrados posteriormente comprovaram que ele havia sido preso pelo Estado, apesar das negativas da ditadura.
  • A Comissão Nacional da Verdade concluiu que Fernando foi assassinado pela repressão. Há diferentes hipóteses sobre o local de sua morte, incluindo o DOI-CODI de São Paulo e a Casa da Morte, em Petrópolis. Seus restos mortais nunca foram encontrados.
  • Atualmente, Rosalina atua na defesa dos direitos humanos e da memória dos desaparecidos políticos, além de construir carreira acadêmica como professora e pesquisadora na área de Serviço Social.

País Nenhum), de Danilo Heitor. O livro acompanha Soraia e Leilane, duas amigas prestes a concluir o ensino médio. Ao ler acidentalmente um e-mail, elas descobrem um projeto secreto iniciado durante a ditadura militar, que usava presos políticos como cobaias em experimentos de viagem no tempo.

Décadas depois, o projeto é retomado, sem qualquer limite ético. Quem é Rosalina e quem foi Fernando? Rosalina Santa Cruz foi militante de organizações de esquerda durante a ditadura militar, entre elas a Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e a VAR-Palmares.

Em 1971 e em 1974, foi presa no Rio de Janeiro e passou cerca de um ano detida. Foi submetida a choques elétricos, pau de arara, agressões físicas e à “geladeira”, método de tortura que envolvia confinamento em uma cela fria e escura.

Seu irmão, Fernando, era estudante e militante da APML. Em 23 de fevereiro de 1974, aos 26 anos, foi preso por agentes da repressão no Rio de Janeiro e desapareceu.

Rosalina passou a procurar informações sobre Fernando e a denunciar seu desaparecimento. Documentos encontrados posteriormente comprovaram que ele havia sido preso pelo Estado, apesar das negativas da ditadura.

A Comissão Nacional da Verdade concluiu que Fernando foi assassinado pela repressão. Há diferentes hipóteses sobre o local de sua morte, incluindo o DOI-CODI de São Paulo e a Casa da Morte, em Petrópolis.

Seus restos mortais nunca foram encontrados. Atualmente, Rosalina atua na defesa dos direitos humanos e da memória dos desaparecidos políticos, além de construir carreira acadêmica como professora e pesquisadora na área de Serviço Social.“Não é mais fácil encarar [tudo o que passamos] como uma ficção.

Ainda me deixa insone, sem dormir; é muito difícil o que eu passei. Passei pela geladeira, o emparedamento, choque elétrico, passei por estar de capuz o tempo inteiro, que é uma forma de você perder a noção de espaço, de tempo”, relata Rosalina.

Além de exaltar o autor e afirmar que a história de presos e mortos na ditadura precisa chegar a uma população mais jovem, a ativista se emociona ao ver as dores que enfrentou nas páginas.

Yara Lopes/ Alesp2 de 3Ela é ativista e sobrevivente do período de repressão. 3 de 3Danilo Heitor é autor do livro Projeto Futuro (Ed. País Nenhum)Divulgação s Milena TeixeiraPSol cobra Motta após Câmara vetar termo “ditadura militar” em livro Milena TeixeiraLula vai aparecer no horário eleitoral com livros que leu na prisão O que é verdade.

Apesar da boa dose de ficção-científica, Danilo — filho de militantes perseguidos pelo regime — mantém os nomes reais de Rosalina e Fernando para aproximar crianças e jovens de um período que, para eles, é apenas uma narrativa de um livro de história.“Eu sou professor do fundamental II e do ensino médio.

Os meus estudantes são pessoas muito jovens. A ditadura, para eles, está muito distante, é meio que assunto chato de livro didático. Eu quis pegar esse conteúdo, que considero muito importante, e trazê-lo para a sala de aula com uma linguagem mais próxima do dia a dia deles.

A ficção científica me pareceu interessante para capturar a atenção que eu precisava”, diz. Ele diz ainda que a viagem no tempo tem importante papel na trama: “A ideia da viagem no tempo dialoga com a memória dos desaparecidos políticos.

São pessoas sequestradas, torturadas e mortas pelo Estado, e de quem só sabemos porque os parentes e companheiros lutam para contar e descobrir suas histórias”.“Na vida real, elas ‘reaparecem’ no presente por meio do que as pessoas próximas contam sobre elas.

No livro, transformá-los em viajantes do tempo é uma metáfora para esse processo, e a descoberta dessa viagem por parte das protagonistas funciona como metáfora da luta pelo descobrimento sobre o que realmente aconteceu com eles”, finaliza.

Livro Projeto Futuro é assinado por Danilo Heitor.

Quem é Rosalina e quem foi Fernando.

Rosalina Santa Cruz inspira o livro de ficção que retrata uma viagem ao tempo da ditadura militar.

Danilo Heitor é autor do livro Projeto Futuro (Ed. País Nenhum).

Fontes consultadas

  • Metrópoles Entretenimentolink

Leia também

Mais em Entretenimento