Minas Gerais tem uma particularidade que obriga qualquer análise presidencial a olhar com atenção para o estado: de 1989 a 2022, o candidato que venceu a eleição no Brasil também foi o mais votado pelos mineiros na rodada decisiva.
Quaest em MG, 2º turno: Flávio, 40%; Lula, 37%.
Foi assim com Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma e Bolsonaro.
É por isso que a virada numérica de Flávio Bolsonaro sobre Lula em Minas, registrada pela Quaest nesta terça-feira (8), merece atenção especial.
Flávio passou de 35% em julho para 40% agora. Lula oscilou de 38% para 37%. A vantagem de três pontos do presidente se transformou em uma desvantagem de três. Com margem de erro de três pontos para mais ou para menos, os dois continuam tecnicamente empatados.
A inversão é numérica. Mas o sinal político é relevante: o estado que acompanhou todos os vencedores desde a redemocratização chega à reta final da campanha sem uma vantagem definida para o presidente e com o adversário numericamente à frente.
Minas não antecipa o resultado por alguma lei da política. Seu histórico importa porque reúne um eleitorado numeroso e realidades sociais e regionais muito diferentes.
Por isso, uma mudança na disputa mineira merece ser lida como um alerta sobre o equilíbrio nacional, sem ser transformada em previsão. Aliás, vale sempre lembrar, pesquisa é uma fotografia do momento, nunca deve ser interpretada como uma tentative de prever o resultado.
As pesquisas de São Paulo e Rio de Janeiro ajudam a colocar esse movimento em perspectiva. Nos três estados, Flávio aparece numericamente à frente de Lula no segundo turno.
É a mesma direção observada no recorte do Sudeste da pesquisa nacional divulgada ontem, que mostrou 43% para Flávio e 34% para Lula. O empate de 41% a 41% no Brasil, portanto, convive com uma região Sudeste mais favorável ao candidato do PL.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…