O levantamento considera os valores informados pelas seguintes empresas de financiamento coletivo.
Apesar da atualização constante dos dados do TSE, os números reportados pelas plataformas não necessariamente correspondem ao total de doações feitas até agora.
Isso acontece porque a prestação de contas é realizada a partir do momento em que os fundos são transferidos para a conta bancária de campanha. São os próprios candidatos que enviam os dados ao TSE.
Uma vez que recebem as receitas, os políticos têm 72 horas para enviar os valores ao sistema da Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo, o prazo para os partidos e candidatos acertarem sua prestação de contas desde o início da campanha começa em 9 de setembro e vai até o dia 13 do mesmo mês.
Já a prestação completa pode ser enviada até 14 de novembro.
Assim como o g1 mostrou no início de julho, quase todos todos os políticos no topo do ranking têm forte presença nas redes sociais, e a maioria é de direita.
De acordo com o cientista político e professor da FGV Marco Antonio Teixeira, isso não é por acaso. “Os políticos de direita atuam nas redes sociais há mais tempo.
A esquerda começou a enfrentar as redes sociais recentemente”, afirma.
Para o especialista, existe uma correlação direta entre apoio monetário e força nas redes sociais.
Teixeira também destaca que, apesar de nem todos os políticos serem amplamente conhecidos, o resultado do ranking não deve ser visto como algo espontâneo. Segundo ele, esse top 10 é resultado de uma estrutura de organização e anos de trabalho por trás dos nomes na lista.
É o caso de Renan Santos e Kim Kataguiri, por exemplo, que contam com a infraestrutura do partido Missão.
Tanto Jones como Humberto Matos e Professor José têm canais no YouTube em que comentam sobre acontecimentos da política.
Outro nome “novo” é o de Elias Jabbour, professor de Economia da UERJ, que foi assessor da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Diretoria de Pesquisas do Novo Banco de Desenvolvimento, em Xangai, na China, conhecido como “banco dos Brics”.
Já Rodrigo Spada foi auditor fiscal da Receita Estadual de São Paulo. Foi eleito presidente da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais em 2020, e cumpriu mandatos consecutivos desde então.
Por fim, o professor também nota que um dos políticos que “puxam a fila” não é novo no “jogo”. Marcel Van Hattem, por exemplo, atua na estrutura política há muito tempo.
Qual é a importância do financiamento coletivo.
A estratégia do partido conta com as doações, segundo Amanda Vettorazzo, vereadora em São Paulo e coordenadora da campanha de Renan Santos. “O Missão terá um recurso bem limitado de Fundo Eleitoral.
A gente não tem Fundo Partidário. Ele será dividido entre os outros candidatos, menos o pré-candidato Renan Santos, que vai ter arrecadação própria através de vaquinha online e arrecadação”, afirmou Amanda ao g1.
É por isso que os outros presidenciáveis não abriram vaquinhas até o momento, segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Francisco Zardo. “São candidaturas que, diferentemente da do Renan Santos, se baseiam não tanto no engajamento dos eleitores, mas sim na força das máquinas públicas.
Elas podem obter alguma arrecadação, mas é algo periférico”, destacou.
Além de Renan, Flávio Bolsonaro é o único outro presidenciável com maior desempenho nas pesquisas que se cadastrou nas plataformas de doação. Lula (PT), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) não lançaram campanhas de arrecadação coletiva.
Candidaturas maiores tendem a se apoiar nos valores que recebem do Fundo Eleitoral, ou de doações individuais grandes.
As siglas dos candidatos receberão os seguintes valores do Fundo.
Conhecidas formalmente como "financiamento coletivo", as vaquinhas são doações de pessoas físicas feitas via internet para as campanhas eleitorais dos candidatos.
O TSE regulamentou essa opção de financiamento em 2019 por causa da reforma eleitoral aprovada dois anos antes. A alternativa foi uma resposta a um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido a doação vinda de pessoas jurídicas sob a justificativa de que empresas poderiam desequilibrar o processo eleitoral por meio do poder econômico.
De acordo com a resolução da Justiça Eleitoral sobre o tema, os candidatos e partidos são obrigados a abrir uma conta bancária especificamente para receber as doações.
Eles podem receber as quantias desde 15 de maio até o dia das eleições.
As regras para vaquinhas são as seguintes.
Existem plataformas especializadas no recebimento de doações virtuais de pessoas físicas, que podem se cadastrar na Justiça Eleitoral. Elas só podem operar mediante autorização do TSE.
Além disso, precisam cumprir com as seguintes regras.
A instituição deve estar cadastrada previamente na Justiça Eleitoral, cumprindo com os termos do Banco Central para operar os arranjos de pagamento;Deve identificar o nome completo, o CPF de cada pessoa física que doou, a forma de pagamento, o valor repassado e a data da transação;Precisa disponibilizar em seu site a lista com identificação dos apoiadores e a quantia doada, com atualizações em tempo real;É obrigada a emitir comprovantes de cada doação;Deve deixar claras aos candidatos e eleitores as taxas administrativas pela realização do serviço;Estão proibidas de veicular materiais de doações que contenham pedidos de voto antes do início da campanha eleitoral, em 16 de agosto.
Em números
- Vaquinhas eleitorais já superam R$ 8 milhões; dez candidatos concentram metade das doações
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Política, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.