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De olho no público jovem e no Nordeste, Augusto Cury gastou R$ 116 mil nas redes sociais em 2026

Impulsionamento de conteúdo é permitido pelo TSE e aparece na prestação de contas do candidato. Publicação com maior investimento é de corte do primeiro debate

7 min de leitura
De olho no público jovem e no Nordeste, Augusto Cury gastou R$ 116 mil nas redes sociais em 2026

🔍 O impulsionamento de conteúdos é a única modalidade de propaganda eleitoral paga na internet permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre as regras, a Justiça Eleitoral proíbe impulsionar conteúdo negativo sobre adversários.

  • 18 - 24 anos: 35,8% (era 21,3 no período pré-campanha).

926 em anúncios. O impulsionamento também reflete sua estratégia de campanha: fazer com que o público jovem veja suas postagens, assim como eleitores do Sudeste e Nordeste.

Os dados das duas últimas pesquisas Quaest, divulgadas em 14 de agosto e 2 de setembro, mostram um avanço de Cury nas intenções de voto. O candidato passou de 2% para 10%.

Entre os mais jovens, foi de 1% para 14%, seu melhor desempenho no recorte por idade. Cury também cresceu em diferentes regiões do país. No Nordeste, passou de 2% para 11%; no Sudeste e no Sul, de 2% para 10%; e, no Centro-Oeste e Norte, de 3% para 7%.

Os fatores que fizeram Augusto Cury ‘bombar’ nas redes sociais.

Segundo os dados da Meta, Cury também priorizou a promoção de um vídeo sobre o primeiro debate presidencial, realizado em 28 de agosto. Participaram do evento, além de Cury, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não compareceram.

Após o debate, Cury registrou um aumento expressivo de visibilidade nas redes sociais e nas buscas por seu nome. Entre 14 e 27 de agosto, o candidato ganhou 1,8 milhão de seguidores nas redes sociais, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque.

A prestação de contas está disponível no portal DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, e considera apenas as transações realizadas após o início oficial da campanha, em 16 de agosto.

O g1 procurou a Meta para confirmar se o candidato não havia feito nenhum impulsionamentos pago até 31 de agosto deste ano. Em resposta, a empresa afirmou que reforça compromisso com a transparência das informações, disponibilizamos os detalhes dos anúncios nas plataformas na Biblioteca de Anúncios.

O g1 também procurou a assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro e não houve retorno até a publicação da reportagem. O texto será atualizado se houver resposta.

Com base na análise dos dados disponíveis na biblioteca de anúncios da Meta, o g1 identificou que o candidato mirou o público mais jovem na distribuição do impulsionamento depois do início oficial da sua candidatura.

Pessoas entre 18 e 24 anos concentraram cerca de 36% das impressões estimadas, isto é, das vezes em que os anúncios foram exibidos, considerando todos os conteúdos veiculados desde o início da campanha eleitoral.

Desse total, 19,3% foram exibições para mulheres e 16,5% para homens. Em seguida, o público de 25 a 34 anos respondeu por cerca de 32% das impressões, sendo 16,6% entre mulheres e 15,7% entre homens.

A distribuição é diferente da observada no período de pré-campanha, quando a faixa de 25 a 34 anos concentrava a maior parcela das impressões, com cerca de 28%.

A partir do início da campanha eleitoral, o alcance no público dos 35 aos 44 anos começa a cair. Foram 7,6% mulheres e 7,2% homens, totalizando 14,8% das impressões estimadas.

O mesmo vale para o grupo dos 45 aos 54 anos: 4% eram mulheres e 4% homens.

Nas faixas etárias mais altas, a participação foi menor. Pessoas de 55 a 64 anos responderam por 7,7% das impressões dos anúncios de Cury, sendo 5,3% entre mulheres e 2,4% entre homens.

Entre o público com 65 anos ou mais, as mulheres também concentraram a maior parcela das impressões: 3,4%, ante 1,3% entre os homens, totalizando 4,7%.

Os dados da Biblioteca de Anúncios da Meta mostram uma mudança geográfica no direcionamento dos posts de Augusto Cury desde o início oficial da campanha. Se antes o Sudeste concentrava a maior fatia das impressões dos posts patrocinados (44,1%), a região perdeu mais da metade desse peso relativo, caindo para 19,7% após o pontapé inicial da corrida eleitoral.

Na direção oposta, o Nordeste, que já respondia por quase um terço do alcance na fase pré-campanha (31,1%), passou a concentrar mais da metade de todas as impressões da candidatura, atingindo 54,6%.

Conteúdo com mais impulsionamento é corte de debate presidencial.

Até o momento, o conteúdo que recebeu o maior investimento é uma postagem que mostra um recorte da participação de Cury no primeiro debate presidencial, na Band.

No recorte, o candidato se apresenta, falando sobre seu casamento, sua história acadêmica e se classifica como o “psiquiatra mais lido do mundo”.

No decorrer do vídeo, Cury também faz um apelo para o país. Ele afirma que quer usar "toda" a sua “experiência fora da política” e “chamar os melhores profissionais” porque o “Brasil merece desenvolver”.

Ao final do corte, olha para a câmera e diz: “se você achar que eu mereço seu voto, faça um vídeo de apoio, porque furar essa bolha só depende de você”.

A legenda também reforça as ideias de Cury sobre montar uma equipe. “Um presidente não precisa ser o melhor em tudo. Precisa saber reunir os melhores”, escreveu.

No dia do debate, a participação do candidato foi marcada por idas e vindas: ele abriu uma transmissão ao vivo nas redes sociais e, cerca de 30 minutos antes do início do debate, anunciou que não participaria diante das ausências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Depois, Cury entrou na emissora e, pouco depois, voltou atrás na decisão e participou do debate.

Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2) mostrou Augusto Cury como terceiro colocado na corrida presidencial, com 10% das intenções de voto. O levantamento foi encomendado pelo jornal O Globo e pela Globo.

O candidato do Avante ficou isolado em terceiro e deixou para trás Renan Santos (Missão), com 3%, e Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que têm 1% cada, mesmo índice de Samara Martins (UP).

A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Lula (PT) lidera com 37%, e Flávio Bolsonaro (PL) tem 29%.

O escritor se destacou entre os jovens, onde obteve 14% das intenções de voto. Foi seu melhor desempenho no recorte por idade. O pior desempenho foi entre os mais velhos (60+), com 3%.

Chegou a 11% no Nordeste, tem 10% no Sudeste e no Sul e 8% no Centro-Oeste/Norte. Teve 9% das intenções de voto entre as mulheres e 11% entre os homens. Na divisão por nível de escolaridade, marcou 15% entre os eleitores com ensino superior, 13% no ensino médio e 4% no grupo com ensino fundamental.

Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que a pesquisa mostra que Cury "canibalizou" as intenções de voto disputadas pelos candidatos que se apresentam como uma alternativa à polarização.

Neste primeiro momento, a gente vê uma reorganização desse campo. O Cury atrai esse voto.”.

O candidato já havia afirmado que o seu movimento nas redes sociais era orgânico. Em agenda no Sebrae em Curitiba na segunda-feira (31), negou ter feito uso de robôs ou ter contratado influenciadores para melhorar artificialmente o seu engajamento.

Em números

  • Entre 14 e 27 de agosto, o candidato ganhou 1,8 milhão de seguidores nas redes sociais, segundo levantam
  • De olho no público jovem e no Nordeste, Augusto Cury gastou R$ 116 mil nas redes sociais em 2026

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Fontes consultadas

  • G1 Políticalink