Ir para o conteúdo
Eleições 2026 Revisado por ULTRA AI

Candidaturas negras avançam e se aproximam de perfil racial do país

Participação de mulheres pretas e indígenas permanece baixa. A pesquisa usou a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

4 min de leitura
Urna eletrônica — Eleições 2026

A pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e da consultoria CommonData usou a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e identificou que, entre os 20.

448 nomes válidos identificados até 16 de agosto, 10. 191 autodeclararam-se pretos ou pardos.

Do total de candidatos este ano, 2. 789 são pessoas pretas (13,6% do total) e 7. 402 pardas (36,2%). Na população, são 10,2% de pessoas pretas e 45,3% de pardos.

Em 2022, quando ocorreu a primeira edição da pesquisa, as candidaturas de pessoas negras correspondiam a 35,5%.

Sobre a autoidentificação e migração de brancos para o grupo de pessoas negras, 338 mudaram a indicação para pardo e seis para preto. Na direita, 11,2% de brancos mudaram para pardos; no centro, 11,6%; e na esquerda, 11,7%.

De acordo com a assessora do Inesc Carmela Zigoni, os participantes podem estar ampliando sua plataforma na pauta racial, que tradicionalmente é mais pautada na esquerda, para conquistar mais eleitores negros e/ou interessados nesses debates.

Mas é importante ressaltar que o cenário de recursos piorou para esse grupo, pois o TSE alterou a norma e mudou a distribuição proporcional para a cota. “Se antes um partido tinha 50% de candidaturas negras, ele deveria repassar 50% para elas, e agora mesmo com 50% de candidaturas, o percentual é 30% do recurso.

A Emenda Constitucional nº 133, de 2024 alterou a distribuição de recursos destinados a essas candidaturas. Por isso, Carmela Zigoni ressalta que a presença nas listas partidárias deve ser analisada junto com o acesso efetivo a financiamento, estrutura de campanha e tempo de propaganda.

Nesse contexto, ela destaca ainda ser fundamental a atuação de bancas de heteroidentificação para evitar fraudes nas cotas raciais.

Os resultados integrais serão divulgados no final de setembro, porém os dados parciais indicam que o avanço em gênero não seguiu proporção equivalente e, quando o gênero entra na conta, a diferença ainda é sentida.

Os homens brancos continuam sendo o maior grupo isolado, com 6. 688 candidaturas, ou 32,7% do total. Em seguida aparecem homens pardos, com 4. 917 (24,1%); mulheres brancas, com 3.

271 (16%); e mulheres pardas, com 2. 485 (12,2%).

Segundo o estudo as mulheres pretas somam 1. 234 candidaturas, equivalentes a 6% do total, enquanto os homens pretos são 1. 555, ou 7,6%.

A participação de mulheres cresceu apenas 1%. A de mulheres negras avançou menos, somente 0,5%. Entre as 7. 116 mulheres candidatas, 3. 719, ou 52,2%, são negras.

Desse total, 2. 485 são pardas e 1. 234, pretas. As mulheres negras representam 18,2% de todas as candidaturas, ante 17,3% em 2022. Já a participação dos homens negros recuou de 32,3% para 31,7%.

O perfil geral das candidaturas demonstra avanços muito discretos em relação à representatividade, como o aumento de apenas 1,5% de mulheres concorrendo e, neste universo, aumento de apenas 0,5% de mulheres negras”, destacou Carmela Zigoni.

Ela explica que os números mostram retrocessos, como a redução de mulheres candidatas ao Senado e de homens negros candidatos. Da totalidade de mulheres competindo ao pleito atual, 52,2% são negras, sendo 34,9% pardas e 17,3% pretas.

Em 2022, entre as mulheres, 51,8% eram negras, sendo 33,7% pardas e 18,2% pretas.

Além disso, os dados demonstram redução no ritmo de crescimento da participação das pessoas negras no processo eleitoral, que pode ser resultado de retrocessos no estímulo à participação", complementa Carmela.

O levantamento também registra 191 candidaturas de pessoas autodeclaradas indígenas, equivalentes a 0,9% do total. Em 2022, eram 172, ou 0,6%. Entre as candidaturas indígenas de 2026, 84 são de mulheres.

As candidaturas quilombolas somam 212, ou 1% do total. A distribuição por gênero é próxima do equilíbrio: 110 homens (51,9%) e 102 mulheres (48,1%). O grupo é majoritariamente negro, com 140 pessoas pretas (66%) e 43 pardas (20,3%).

Em números

  • O grupo é majoritariamente negro, com 140 pessoas pretas (66%) e 43 pardas (20,3%)

Fontes

Informação baseada em material público de Agência Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Agência Brasillink