A Caixa Econômica Federal, líder de financiamento habitacional do país, vê o teto de juro habitacional como um desafio. Até janeiro, a taxa do crédito imobiliário enquadrado no SFH (Sistema Financeiro de Habitação) não deve ultrapassar 12%.
Nós estamos num momento muito difícil, o teto de 12% é desafiador. Agora, temos que lembrar que o SBPE [Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo] tem origem na poupança, e ele é um subsídio.
Num país com uma pirâmide de renda como o Brasil tem, é muito razoável que nós tenhamos uma diretriz para que esse recurso atenda um certo perfil de imóvel e de população", afirmou nesta quinta-feira (27) Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa, ao comentar os números da estatal no segundo trimestre deste ano.
A executiva disse que o problema não seria o limite de 12%, mas a Selic em 14% ao ano, já que a taxa básica baliza o custo de captação dos bancos no mercado. Ou seja, o banco paga 14% para captar dinheiro no mercado e ganha 12% ao emprestá-lo.
O descasamento, quando uma empresa precisa pagar custos antes de receber o valor das vendas, gera pressão das instituições financeiras ao Banco Central para que o teto de 12% ao ano seja revisado.
O novo modelo, anunciado no final de 2025 e com implementação gradual até a sua vigência plena em janeiro de 2027, busca modernizar o financiamento habitacional no país.
O principal objetivo é reduzir a dependência histórica da caderneta de poupança, que tem cada vez menos recursos.
Com a Selic em níveis elevados, os investidores migraram recursos para aplicações financeiras mais rentáveis, como CDBs ou Tesouro Direto, esvaziando a poupança e gerando escassez e encarecimento do crédito habitacional.
Para contornar o problema, o governo autorizou os bancos a buscarem dinheiro diretamente no mercado de capitais, utilizando instrumentos como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário).
No entanto, o dinheiro de mercado custa consideravelmente mais do que o da poupança e se mostra altamente sensível às flutuações de juros e às expectativas dos investidores.
Com relação às recuperações extra e judiciais das últimas semanas, como Casas Bahia, Braskem e Habbib's, a Caixa disse não ter sido afetada. "Por talvez conservadorismo ou por sorte, não tivemos impactos nesses últimos processos de recuperação", afirmou Suely Patrão, diretora de Atacado da Caixa.
Segundo a exectiva, a taxa de inadimplência segue baixa nesse segmento, dada a cautela do banco.
Já no agronegócio, também afetado por recuperações judiciais nos últimos anos, o banco vê uma normalização. A Medida Provisória nº 1. 376, que criou linhas de crédito especial para a renegociação de dívidas de crédito rural, colaborou para a estabilização, afirma a instituição.
Segundo executivos do banco, abril foi o mês com a maior inadimplência nesse segmento, com melhora a partir de maio.
No segundo trimestre, o índice de atrasos da carteira agro da Caixa saltou para 20,74%, um aumento anual de 13,72 pontos percentuais, o maior dentre todos os segmentos do banco.
O índice de inadimplência geral ficou em 3,64%, aumento de 0,98 ponto percentual.
Em empréstimos a pessoas físicas, o percentual de atraso ficou em 6,29% (aumento de 0,72 p.p.). Em pessoas jurídicas, a taxa ficou em 14,05% (alta de 3,03 p.p.).
O crédito comercial, por sua vez, tem um percentual de atraso de 9,32%, alta de 1,68 ponto percentual no ano.
Fontes
Texto da redação ULTRA NOTÍCIAS, com base em material público.