A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu à empresa brasileira EMS o registro do primeiro medicamento genérico à base de semaglutida sintética no país, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2.
O produto tem como medicamento de referência o Ozivy, primeira caneta à base de semaglutida de fabricação nacional, desenvolvida pela farmacêutica e lançada em junho deste ano.
Na mesma decisão, a agência aprovou um medicamento similar da Germed, que será comercializado com o nome Semaclique. Para entender o que muda para os pacientes com a chegada das novas opções, O GLOBO ouviu Fernando Valente, endocrinologista e coordenador do Departamento de Educação em Diabetes e Campanhas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Veja algumas das principais dúvidas sobre o novo medicamento.
O que é a semaglutida e por que ela se tornou tão popular? A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. A substância auxilia no controle da glicose e aumenta a sensação de saciedade.
Ela é utilizada em medicamentos conhecidos como Ozempic e Wegovy e se tornou popular nos últimos anos por seus efeitos no controle do diabetes e na perda de peso.
O genérico terá a mesma eficácia dos medicamentos já disponíveis.
Segundo Valente, a aprovação da Anvisa demonstra que o produto passou pelas avaliações exigidas.
Quem usa Ozempic ou Wegovy poderá fazer a troca.
A troca deve ser discutida com o médico responsável pelo tratamento. Embora os medicamentos tenham a mesma substância ativa, a substituição depende da avaliação clínica de cada paciente e das regras de intercambialidade estabelecidas pela Anvisa.
A aprovação vale para tratamento da obesidade.
Não. Os produtos aprovados pela Anvisa têm indicação para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e à prática de exercícios físicos.
Embora a semaglutida também seja utilizada no tratamento da obesidade em outras formulações e dosagens, essa não é a indicação aprovada para os produtos registrados nesta segunda-feira (17).
Segundo Valente, porém, a chegada das novas opções pode ter reflexos indiretos no tratamento da obesidade.
Quando o produto chega às farmácias.
Segundo a EMS, o medicamento deve chegar ao mercado nos próximos meses.
A farmacêutica afirma, porém, que o cronograma ainda depende da conclusão dos trâmites regulatórios e das definições relacionadas à precificação.
O principal impacto para os pacientes.
Para o especialista, a principal mudança pode ser a ampliação do acesso ao tratamento.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.