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Economia Revisado por ULTRA AI

Por que o Nepal não conseguiu avisar a população sobre a enchente devastadora

Colapso de geleira e deslizamento em área remota do Himalaia geraram uma inundação tão rápida que moradores não tiveram tempo para buscar abrigo

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

O sistema de alerta precoce para enchentes do Nepal dependia de uma rede convencional de medidores instalados em rios e lagos, que não estava preparada para alertar adequadamente a população sobre a parede de água que devastou os vales do país na quarta-feira, segundo cientistas e especialistas em resposta a desastres.

Geólogos acreditam que a enchente repentina que atingiu Nepal e Tibete foi desencadeada por uma combinação de deslizamento de terra em grande altitude e avalanche glacial, liberando enormes volumes de água.

De acordo com esses especialistas, o Nepal utiliza uma rede de sensores em rios e lagos projetada para detectar elevações graduais do nível da água, como as que normalmente antecedem enchentes causadas pelas monções ou pelo rompimento de lagos glaciais, fenômeno que ocorre quando um reservatório de água derretida de geleiras transborda.

Quando os medidores do Nepal teriam detectado a inundação de quarta-feira, já era tarde demais, afirmam os pesquisadores. A enxurrada destruiu vilarejos, matou centenas de pessoas e deixou mais de mil desaparecidos.

No Nepal, a tragédia foi tão repentina que não houve tempo para fugir.

Colapso de parte de uma montanha desencadeou uma inundação repentina de proporções e velocidade sem precedentes, segundo sobreviventes; centenas morreram e mais de 1.

Enchente no Nepal: número de mortos passa de 300 e mais de 1.000 estão desaparecidos.

Equipes de resgate buscam sobreviventes no Nepal e na China após o colapso de gelo, lama e rochas provocar uma inundação repentina; vilarejos foram destruídos e centenas de estrangeiros seguem desaparecidos.

Kristen Cook, geomorfóloga da Universidade Grenoble Alpes, na França, disse que a rede de medidores mantida pelo Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal é ampla, mas não foi concebida para detectar deslocamentos de água tão rápidos e volumosos.

Segundo Cook, quando a água chega ao medidor, normalmente instalado em pontes ou áreas habitadas, já não há tempo para emitir alertas eficazes.

Outro desafio foi o isolamento geográfico da área onde ocorreu o deslizamento inicial, afirmou Austin Lord, pesquisador do Stimson Center, em Washington, especializado em desastres naturais no Nepal.

Segundo ele, o deslizamento ocorreu em um “ponto cego” na face norte da cadeia montanhosa de Langtang, uma região pouco habitada e raramente monitorada.

Para Cook, uma possível solução seria instalar sistemas capazes de detectar atividade sísmica incomum, em vez de depender apenas do monitoramento do nível dos rios.

Segundo ela, esse tipo de tecnologia poderia ter alertado comunidades situadas rio abaixo sobre um deslizamento como o de quarta-feira, que foi tão intenso que o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) o registrou como um evento sísmico de magnitude 5,2.

Outra alternativa seria aprimorar sistemas de monitoramento por satélite capazes de identificar mudanças ambientais que possam indicar um deslizamento ou avalanche iminente, disse Lord.

Na avaliação dos especialistas, o aumento das temperaturas provocado pelas mudanças climáticas torna ainda mais urgente a adoção dessas ferramentas. “Terremotos, deslizamentos e colapsos de encostas podem ocorrer mesmo sem mudanças climáticas”, afirmou Lord.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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