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Economia Revisado por ULTRA AI

Por que (não) há uma revolução no Brasil?

Pergunta de uma professora da Universidade de Oxford raramente passa pela cabeça dos brasileiros

2 min de leitura
Economia — imagem padrão

No ano passado, durante uma temporada que passei na Blavatnik School of Government, na Universidade de Oxford, ouvi de uma professora britânica uma pergunta que ficou comigo.

Ela contou que, na primeira vez em que foi ao Brasil, saiu do aeroporto, olhou para a desigualdade à sua volta e pensou "por que não há uma revolução neste país.

No fundo, quanto mais se conhece a desigualdade brasileira, mais interessante essa pergunta fica.

Somos um país no qual o lugar em que uma criança nasce continua tendo enorme influência sobre o lugar a que ela conseguirá chegar. Pessoas que vivem a poucos quilômetros umas das outras frequentam mundos distintos e enxergam futuros distintos.

Desenvolvemos essa enorme capacidade de administrar desigualdades sem transformá-las. Mas a tensão existe. E, no meio dela, cada grupo procura uma saída particular para problemas que, em sua essência, são baseados no conflito distributivo.

É possível que esteja aí um dos principais motivos da persistência da desigualdade brasileira. Em vez de produzir algum consenso e uma grande ruptura, ela vai dividindo os brasileiros.

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O desafio fica mais sério quando essas distâncias deixam de ser apenas econômicas e mudam a maneira como as pessoas enxergam umas às outras e as instituições.

Pense em quem trabalha durante décadas, acorda cedo, enfrenta horas de transporte e faz tudo aquilo que lhe disseram ser necessário para melhorar de vida. Os anos passam e a vida quase não muda.

Olhando ao redor, essa pessoa percebe que conexões familiares e origem social continuam abrindo portas que o esforço sozinho dificilmente abre.

Existe um momento em que a pergunta deixa de ser "por que eu ainda não consegui?" e começa a se transformar em "esse jogo funciona para pessoas como eu.

Essa passagem é muito relevante para uma democracia. Instituições dependem de alguma crença compartilhada nas regras. As pessoas aceitam decisões com as quais discordam porque acreditam que continuam fazendo parte do mesmo jogo.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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