Foi um anúncio tipicamente trumpiano. Na sexta-feira (28), o presidente americano anunciou o que chamou de "o maior acordo petrolífero da história mundial", um entendimento que, segundo ele, daria aos Estados Unidos o "controle majoritário" de mais de 65 bilhões de barris de petróleo bruto venezuelano —cerca de um quinto das vastas reservas comprovadas do país.
Lista completa
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Os detalhes estavam notavelmente ausentes, mas Donald Trump afirmou que o acordo envolvia "uma parceria com a iniciativa privada" e que seria firmado "sem nenhum custo para o contribuinte americano.
Ele descreveu Delcy Rodríguez, a impopular líder não eleita da Venezuela, como a "Altamente Respeitada Presidente Interina da Venezuela.
Rodríguez participou da troca de mesuras, manifestando sua "mais profunda gratidão" a Trump por um acordo que, segundo ela, contribuirá para "o crescimento econômico de nosso país, a segurança energética de nosso hemisfério e um maior equilíbrio nos mercados internacionais.
Trump afirmou que o acordo "mais do que duplica" as reservas de petróleo dos Estados Unidos. Isso é enganoso. Os Estados Unidos, cujas reservas próprias somam cerca de 44 bilhões de barris, não serão donos dos 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano, por mais que Trump talvez desejasse que fossem.
Ao que tudo indica, o país se tornará, em vez disso, o acionista majoritário de uma nova empresa que terá o direito de desenvolver e operar 17 campos petrolíferos venezuelanos distribuídos pela Faixa do Orinoco e pelo Lago de Maracaibo.
Os contratos firmados pela entidade poderão ter prazos excepcionalmente longos, possivelmente de até 50 anos, renováveis por mais 50, segundo apurou a The Economist.
Diante da quantidade e do tamanho dos campos, essa nova empresa provavelmente não operará todos eles por conta própria. Poderá operar alguns, mas terá condições de decidir quais empresas serão contratadas para os demais, ou ela mesma poderá subcontratá-las.
O Estado venezuelano não terá nenhuma função operacional, mas receberá royalties e impostos sobre o petróleo produzido. Ao que parece, o próprio governo americano atuará, na prática, como garantidor dos contratos.
Isso deverá reduzir o risco dos investimentos para as petrolíferas americanas. Várias delas guardam lembranças amargas da Venezuela: perderam bilhões quando seus antigos contratos de joint venture foram alterados durante o governo de Hugo Chávez, em 2007.
Até agora, nenhuma nova grande petrolífera concordou em voltar a investir —para grande desgosto de Trump. Agora, talvez concordem.
Fontes a par do acordo disseram a The Economist que a "iniciativa privada" que deterá uma participação de 45% na nova operadora da joint venture — cabendo ao governo americano, segundo informações, o restante, por meio de um escritório no Pentágono— será a North American Blue Energy Partners, ou NABEP, uma produtora privada de petróleo registrada em Barbados e com escritórios em Caracas.
A empresa é controlada por Alejandro Betancourt, um controverso venezuelano radicado em Londres, frequentemente apontado como integrante de um grupo de "bolichicos" —empresários que fizeram fortuna graças a contratos lucrativos durante o auge caótico e corrupto do governo Chávez.
Betancourt foi alvo de várias investigações internacionais por suposta lavagem de dinheiro. Mas aparentemente tornou-se excepcionalmente útil ao governo Trump. Em 27 de agosto, o jornal Washington Post noticiou que altos funcionários americanos haviam pressionado com sucesso as autoridades suíças a resolver um processo judicial contra ele, permitindo que viajasse.
Ele nega qualquer irregularidade e nunca foi condenado por crime algum.
Mas o acordo de Trump enfrenta um problema maior do que o histórico de sua parceira na joint venture. Quaisquer contratos assinados ainda serão, em última instância, celebrados com o governo Rodríguez.
Ela não é uma líder escolhida pelos venezuelanos, mas a herdeira de Nicolás Maduro, que fraudou descaradamente a última eleição presidencial, em 2024.
O pleito foi vencido por Edmundo González, que substituiu a imensamente popular líder oposicionista María Corina Machado. Maduro foi capturado por comandos americanos em Caracas, em 3 de janeiro, e levado de avião a Nova York, onde responde a acusações de narcotráfico.
Mas sua ausência não confere legitimidade alguma à Rodríguez, sua ex-vice, nem aos contratos assinados por seu governo.
Em números
- Os Estados Unidos, cujas reservas próprias somam cerca de 44 bilhões de barris, não serão donos dos 65 bilhões de barr