A presença feminina no mercado de seguros já está bem consolidada, mas quando se trata das seguradas (pessoa física cuja vida, saúde, bens ou patrimônio estão protegidos pelo contrato de seguro), os números indicam que há pontos de melhora.
Segundo a 1ª Pesquisa FeMa Meter (2026), feita pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), as mulheres aparecem em menor proporção como titulares e consumidoras na maioria dos produtos de proteção financeira do mercado brasileiro.
O levantamento levou em consideração uma base de dados consolidada até 31 de dezembro de 2024. De acordo com a Susep, autarquia federal que regula e fiscaliza o setor, a maior participação feminina foi vista na previdência privada aberta, chegando a 44,9% dos contratos.
Em contrapartida, a menor participação de seguradas foi identificada nos seguros climáticos e rurais, onde atingiu apenas 13,4% do total de contratantes.
Os dados da Susep mostram a seguinte diferença entre gêneros.
Vale frisar que a pesquisa da Susep tem caráter puramente descritivo e não busca investigar os motivos por trás dos números. Ao InfoMoney, a entidade disse que os dados servem como ponto de partida para mapear a situação atual e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.
O cenário reflete barreiras econômicas mais amplas vivenciadas pelas consumidoras no dia a dia.
De acordo com Camila, com renda média menor que a dos homens e maior responsabilidade pelos cuidados da família, o orçamento fica mais pressionado, e seguro e previdência acabam sendo vistos como gastos que podem esperar.
Comunicação do setor não engloba público feminino.
Outro obstáculo destacado na análise do consumo envolve o histórico de relacionamento do próprio setor financeiro com o público feminino e as dinâmicas tradicionais de planejamento patrimonial.
Ainda, é necessário que seja feito uma adequação da oferta para que seja possível aumentar a proteção feminina, com mudanças na estrutura das apólices (contrato de seguro) e na abordagem comercial praticada pelas companhias.
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Segundo Camila, estratégias focadas em comunicação, canais de venda e o momento da abordagem influenciam na decisão de compra. Para a executiva, ter mais mulheres nos espaços de criação e distribuição de produtos ajuda a projetar soluções mais aderentes.
Ela ressalta, porém, que enquanto persistirem a desigualdade salarial e a assimetria no trabalho de cuidado, parte das mulheres simplesmente não terá renda disponível para contratar.
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Falta de dados de gênero dificulta análise de mercado.
O levantamento também joga luz sobre as limitações cadastrais que afetam o mapeamento completo do perfil das consumidoras, já que muitos contratos não informam o gênero do contratante.
Ela ainda argumenta que é simbólico que o levantamento da Susep só tenha sido possível porque o regulador decidiu, pela primeira vez, produzir esse tipo de inteligência de gênero no setor, um passo que, de acordo com a presidente da Sou Segura, consolida os dados necessários para que o setor avance em direção à equidade.
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Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.