Às vésperas de mais um Dia dos Pais, o Operador Nacional do Sistema (ONS) colocou distribuidoras de eletricidade em prontidão diante do risco de dificuldades na operação do sistema elétrico.
Horas depois, reavaliou o cenário e descartou a necessidade de acionar medidas emergenciais.
O episódio terminou sem maiores consequências, mas evidenciou um desafio crescente: um sistema elétrico cada vez mais renovável exige também maior flexibilidade para operar com segurança.
É nesse contexto que ganha importância o primeiro leilão brasileiro destinado exclusivamente à contratação de sistemas de armazenamento por baterias, previsto para dezembro.
A etapa de cadastramento reuniu 6. 091 projetos, somando cerca de 297 gigawatts (GW) de capacidade instalada —volume superior à capacidade hoje em operação no sistema elétrico brasileiro.
Embora parte desses projetos não seja habilitada na etapa de qualificação conduzida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os números superlativos revelam um fato inequívoco: existe disposição para investir em uma tecnologia considerada estratégica para a transição energética.
Paradoxalmente, esse entusiasmo já revela com sinais de cautela. Empresas tradicionais admitem reduzir ou até abandonar sua participação diante da percepção de retornos insuficientes e do elevado grau de incerteza regulatória.
A Copel tornou pública essa avaliação. O ponto, porém, vai muito além de uma empresa específica. Investimentos de longo prazo dependem tanto de competição quanto de previsibilidade.
Essa é justamente uma das lições de Paul Milgrom, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2020 por suas contribuições ao desenho de leilões. Bons leilões atraem o maior número possível de competidores qualificados, aqueles mais capazes de executar os investimentos contratados.
Por outro lado, a contratação de vencedores aventureiros frequentemente acaba em renegociação oportunista, atrasos e ineficiências. Separar joio do trigo é condição para que a concorrência seja eficiente e boa para investidores e consumidores.
Mas um bom desenho de mercado, por si só, não basta. Se a regulação demora a definir regras essenciais para viabilizar os investimentos, o custo da espera pode superar aquele de uma decisão imperfeita.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.