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Justiça protege Casas Bahia de cobranças por 180 dias durante recuperação judicial

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia.

4 min de leitura
Justiça protege Casas Bahia de cobranças por 180 dias durante recuperação judicial

A Justiça de São Paulo decidiu, na sexta-feira (28), antecipar os efeitos da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e suspender, por 180 dias, as ações de cobrança e execuções contra a empresa.

Lista completa

  • 🔎 O stay period é a suspensão temporária das cobranças judiciais contra uma empresa em recuperação judicial, permitindo que ela negocie suas dívidas e tente reorganizar suas finanças.

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia.

A medida busca evitar que credores retirem recursos da companhia enquanto ela tenta reorganizar suas finanças.

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Corrida de credores motivou decisão.

Na decisão, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira considerou o argumento apresentado pela companhia de que, após o pedido de recuperação judicial, houve uma "corrida de credores" para tentar receber valores da empresa.

Para a magistrada, deixar a empresa sem proteção nesse momento poderia comprometer a recuperação financeira e colocar em risco a continuidade das operações.

Por isso, ela antecipou os efeitos da recuperação judicial antes mesmo da análise definitiva do pedido, concedendo o chamado stay period.

No caso da Casas Bahia, a Justiça determinou que o prazo de 180 dias seja contado a partir de 19 de agosto de 2026, com término previsto para 15 de fevereiro de 2027.

Durante esse período, ficam suspensas a maioria das ações e execuções contra o grupo, embora a medida não alcance, por exemplo, execuções fiscais e alguns créditos que, por lei, não se submetem à recuperação judicial.

Antes de decidir se aceita definitivamente o pedido de recuperação judicial, a Justiça determinou a realização de uma constatação prévia.

Nessa etapa, uma empresa especializada fará uma análise da documentação e da situação financeira do grupo. O laudo deverá ser entregue em até 30 dias.

Bancos e credenciadoras terão de liberar acesso a recursos.

A decisão também obriga o BTG Pactual a restabelecer o acesso da Casas Bahia às suas contas bancárias e determina que as empresas de meios de pagamento Cielo, Getnet e Redecard deixem de reter recursos da companhia apenas em razão do pedido de recuperação judicial.

A Justiça também homologou a desistência de pedidos feitos pela empresa contra o Banco do Brasil, rejeitou o pedido do banco para aplicar multa por má-fé processual e autorizou a participação de entidades sindicais como terceiras interessadas no processo.

Na petição inicial, a Casas Bahia afirmou que o Banco do Brasil figurava como garantidor de contratos firmados pela varejista com a Apple e a Mapfre Seguros.

De acordo com a empresa, após o pedido de recuperação judicial, essas garantias teriam sido acionadas pelos credores.

O banco também afirmou que a varejista apresentou informações incorretas à Justiça e pediu que ela fosse punida por agir de forma desleal no processo, ao fazer uma alegação que, segundo a instituição, não correspondia aos fatos.

O g1 procurou a Casas Bahia e o Banco do Brasil para comentar o processo. Até a publicação desta reportagem, a varejista não havia se manifestado. O BB informou que não comentará o caso.

Juros altos e falta de crédito pressionaram a empresa.

A empresa atribui a decisão ao cenário de juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa.

Segundo a companhia, tentativas de captar novos recursos, incluindo negociações com investidores nacionais e internacionais e uma possível oferta de ações, não avançaram, levando à necessidade de recorrer à recuperação judicial.

O pedido ocorre após cerca de três anos de medidas para tentar reverter a crise. Desde 2023, a varejista fechou lojas consideradas deficitárias, cortou milhares de postos de trabalho e implementou um plano de redução de custos e aumento da eficiência.

Já em agosto deste ano, anunciou o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários.

Segundo a varejista, as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda continuarão funcionando normalmente durante o processo, que também busca preservar mais de 20 mil empregos.

Em números

  • Já em agosto deste ano, anunciou o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários
  • Ontinuarão funcionando normalmente durante o processo, que também busca preservar mais de 20 mil empregos

Fontes consultadas

  • G1 Economialink

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