O banco acusa o executivo de desvio de poder e gestão abusiva, conflituosa e irregular por supostamente embolsar parte de pagamentos a serviços contratados para a instituição financeira.
De acordo com o Itaú, Broedel, enquanto CFO do banco, contratava constantemente a consultoria de Eliseu Martins, reconhecido como um dos maiores contadores do país.
No entanto, Broedel era sócio de Martins e, segundo o Itaú, ficava com 40% de todo o pagamento feito pela prestação de serviços.
Em nota, a defesa do executivo afirma que vai recorrer da decisão e que ele "sempre se conduziu de maneira ética e transparente ao longo dos 12 anos em que trabalhou no Itaú Unibanco e seguirá tomando todas as medidas judiciais para provar isso.
Em decisão protocolada nesta terça-feira (18), o juiz André Salomon Tudisco, da 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem também deliberou o pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios por Broedel ao Itaú.
O juiz considera que o banco tinha ciência da existência da consultoria de Broedel, mas não há provas de que também tivesse conhecimento do arranjo associativo informal mantido entre Eliseu Martins e o ex-CFO.
Também ficou demonstrado que o réu Alexsandro (assim como a ré Broedel Consultores) se beneficiou diretamente das contratações, recebendo valores transferidos por Eliseu", diz a sentença.
Em um segundo processo também julgado por Tudisco, a acusação do Itaú de que havia parecer pagos mas não prestados foi rechaçada por falta de provas.
Procurado, o Itaú disse que irá recorrer "por discordar da atribuição de ônus para apresentação de prova negativa.
Reitera-se que o parecerista Eliseu Martins confessou o fato e devolveu sua parte dos valores, e que a defesa não apresentou os comprovantes dos serviços prestados, apesar de sucessivas oportunidades concedidas no processo", disse o banco, em nota.
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Em dezembro de 2024, o banco Itaú anunciou, em ata de assembleia-geral, que seu ex-diretor financeiro Alexsandro Broedel violou políticas internas e a legislação ao agir em "grave conflito de interesses e em benefício próprio" no relacionamento com um fornecedor de pareceres.
Segundo a ata, a conduta do ex-diretor foi alvo de apurações internas concluídas naquele novembro. Em julho daquele ano, o executivo pediu demissão do banco para assumir um cargo no Santander na Espanha.
O Itaú concluiu, a partir dessa investigação interna, que Broedel e Martins eram sócios desde 2012 em uma empresa cuja existência não foi informada à instituição financeira.
Preferi devolver o que me era devido e encerrar, aos 80 anos, essa maluquice. Principalmente pelo envolvimento injusto dos meus filhos", disse Martins à Folha.
Em agosto do ano passado, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu um processo para apurar a responsabilidade de Broedel na contratação de pareceres de Eliseu Martins e a acusação feita pelo banco de que ele receberia 40% dos pagamentos feitos à empresa de Martins.
Em números
- Justiça condena ex-CFO do Itaú a pagar R$ 2,83 milhões ao banco
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.