Em meio a críticas sobre a trajetória explosiva da dívida pública e das contas do país, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenta se reunir com dois dos principais expoentes da política econômica na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga.
Segundo interlocutores de Durigan, o objetivo do encontro é ouvir o que esses economistas têm a dizer a respeito da condução da economia no terceiro mandato do presidente Lula, candidato à reeleição.
Ministro da Fazenda diz que juros pagos pelo Tesouro são muito altos.
Taxa de juros implícita chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses para a dívida bruta, o maior patamar desde novembro de 2016.
Foco do governo é constituir comissão da MP da ‘taxa de blusinhas’, diz Durigan.
A previsão é que a comissão mista da MP se reúna em 1º de setembro para eleger o presidente do colegiado e dar andamento ao tema.
A expectativa é que as conversas ocorram ainda em agosto, no Rio. Mas as reuniões não foram agendadas porque há certa resistência por parte de Malan e Fraga, segundo interlocutores.
A gestão dos dois foi baseada no controle rígido da inflação, de disciplina fiscal e consolidação do Plano Real.
Os encontros de Durigan com economistas críticos da gestão econômica do atual começaram nesta semana, em São Paulo, quando o ministro conversou com Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, entre 2003 e 2005, primeiro mandato de Lula.
Segundo interlocutores, Durigan procura, neste momento, manter um diálogo com economistas que atuam em campos opostos. A justificativa é que ele também costuma ouvir economistas alinhados à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Nesta quarta-feira, Durigan disse que as taxas de juros de longo prazo pagas pelo Tesouro Nacional para rolar a dívida pública brasileira são muito altas, algo inaceitável e que precisa ser solucionado.
O Tesouro Nacional, que é a instituição que tem mais condição de pagar uma emissão de título no país, tem hoje uma taxa muito grande para pagar, em especial no longo prazo.
Isso é inaceitável – afirmou, ao participar de um evento do setor de saúde.
Como mostrou O GLOBO na quarta-feira, a alta da taxa básica de juros, os “prêmios” cobrados pelos investidores em razão das incertezas externas e fiscais e a série de programas de crédito lançados pelo governo têm elevado o custo efetivo da dívida pública para os maiores patamares em uma década e ampliado as pressões sobre as contas públicas do país.
A chamada taxa de juros implícita, que é uma medida calculada pelo Banco Central (BC) para capturar o custo total do endividamento do governo, chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses para a dívida bruta, o maior patamar desde novembro de 2016.
Esse indicador leva em conta também a composição da dívida pública, que contém títulos atrelados à Selic, prefixados, ligados à inflação, cambiais, entre outros compromissos do governo.
Eu sempre digo que nunca podemos abaixar a guarda e achar que o trabalho está resolvido, porque não está — afirmou o ministro.
Segundo ele, há uma “grande milha final” para cumprir no futuro, citando um compromisso de trajetória sustentável das contas públicas e os juros.
No mesmo evento, Durigan afirmou que o governo federal tentará aprovar no próximo esforço concentrado do Congresso Nacional a medida provisória que acabou com a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais.
O presidente Lula tratou disso ontem (terça-feira). O esforço do governo agora é mobilizar a base do Congresso Nacional para constituir a comissão mista da MP e aprovar o texto no próximo esforço concentrado.
É nisso que o governo vai colocar seus esforços na próxima semana — afirmou.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.