A inteligência artificial pode reduzir a autonomia da humanidade se não forem aprovadas leis para limitar seu avanço, afirmou Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.
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A jornalista filipino-americana, vencedora do Nobel da Paz de 2021 em reconhecimento, entre outros fatores, ao seu trabalho sobre o poder das grandes empresas de tecnologia, atua como copresidente do painel científico internacional da ONU sobre IA.
O grupo estuda como a tecnologia está transformando a vida das pessoas em todo o mundo.
Segundo Ressa, a tecnologia já capturou a atenção das pessoas por meio das redes sociais e depois passou a explorar a necessidade humana de conexão e intimidade.
Ela defende que os cidadãos pressionem políticos e autoridades para aprovar regras que regulamentem o uso da inteligência artificial.
Segundo Ressa, a primeira fase foi marcada pelas redes sociais, que capturaram a atenção dos usuários, aprofundaram a polarização e contribuíram para o isolamento das pessoas.
Alguns críticos, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitam os apelos por maior regulamentação da IA por temer que isso prejudique a disputa tecnológica com a China.
Ressa classificou esse argumento como uma “boa manobra de relações públicas”.
Antes mesmo de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defender uma desaceleração no avanço dos modelos de IA diante dos crescentes temores de uso indevido da tecnologia, Ressa já sustentava que o primeiro passo para promover mudanças é responsabilizar as big techs.
Ela elogiou as medidas adotadas pela União Europeia e por países como a Austrália para estabelecer limites de idade nas redes sociais, mas afirmou que isso não resolve a “falha fundamental” de que as ferramentas desenvolvidas pelas empresas de tecnologia também causam dependência entre adultos.
Segundo Ressa, devem ser criadas plataformas de comunicação desenvolvidas por grupos de interesse público e fora do controle das grandes empresas de tecnologia, da mesma forma que governos investem em bens públicos, como parques e praças.
Ela citou como exemplo o lançamento do Rappler Communities, em 2023.
Baseado no protocolo aberto, seguro e descentralizado Matrix, o Rappler Communities permitiu que a redação do Rappler se conectasse diretamente aos leitores e que os próprios leitores interagissem entre si para, nas palavras de Ressa, “ter conversas reais”.
O Rappler convidou outros veículos de comunicação das Filipinas a participar da iniciativa e agora está expandindo o modelo para outros países do Sudeste Asiático.
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