No mês passado, João Carlos Mansur, ex-dono da gestora de fundos Reag, pediu que a família voltasse antes do planejado de uma curta viagem. O empresário os comunicou de que havia fechado acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Em relatos a amigos, Mansur disse que sua maior preocupação era contar aos três filhos. Disse que, a partir daquele momento, as coisas mudariam na vida deles. Também informou ter tomado providências para preservá-los das consequências da delação.
Segundo advogados ouvidos pela coluna, as providências possíveis na esfera econômica são a preservação de bens lícitos, não vinculados aos crimes apurados, e o resguardo de fontes de renda que decorram de atividades legais.
No lado jurídico, é a não responsabilização de familiares que não têm envolvimento direto ou sejam alvo de investigação.
A colaboração de Mansur, que não teve a participação da Polícia Federal, foi enviada ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele irá analisar se homologa ou não o acordo.
Procurada, a defesa do empresário ainda não se pronunciou.
Para a homologação, é preciso que a pessoa admita crimes e apresente provas que corroborem a narrativa apresentada aos investigadores.
Em janeiro, Mansur foi um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, que apurou a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do banco Master.
Logo depois da ação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag por "comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional].
Ainda em 2024, fundos da Reag foram usados para aumento de capital do BRB (Banco de Brasília). As operações foram consideradas suspeitas pela PF. A Reag também é citada na operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro e ação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal.
Em diversas ocasiões anteriores, Mansur negou que houvesse irregularidades no funcionamento da Reag e, em depoimento para a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado, ele disse que a empresa tinha um compliance forte e foi penalizada por ser "grande e independente.
Na época, a gestora disse que diversos fundos de investimentos mencionados na operação nunca estiveram sob sua administração ou gestão.
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