A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve lançar ainda este ano um novo sistema de fiscalização de mercados usando inteligência artificial, o que dará mais agilidade e melhorará o acompanhamento de fundos e outros investimentos, afirmou hoje o presidente da autarquia, Otto Eduardo Lobo.
Paralelamente, a CVM prepara também um sistema de acompanhamento de negociação de ativos digitais, com o uso de tokens, e uma regulação para esses instrumentos ainda este ano.
Segundo Lobo, a CVM vai testar na Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que está desenvolvendo um projeto de tokenização de ativos financeiros, o sistema de supervisão das novas infraestruturas de mercado baseadas na possibilidade de criação de ativos digitais.
O presidente admitiu, porém, que há maiores dificuldades na regulação dos ativos digitais, já que a tecnologia para negociação desses ativos ainda não está definida e há discussões nos Estados Unidos sobre qual seria o melhor modelo, apesar de muitas bolsas já estarem se preparando para lançar esses sistemas com tokens.
Segundo ele, esses projetos estão sendo bancados por associações de classe do mercado, como a Abrasca, das companhias abertas, a Anbima e a Ancord, das corretoras, que adiantaram os valores que a autarquia passará a receber no ano que vem de acordo com a determinação do Supremo Tribunal Federal, de que 75% da taxa de fiscalização cobrada do mercado seja investida na CVM.
Lobo afirmou que nos próximos meses serão contratadas as empresas que vão digitalizar e colocar os dados de mercado dos ativos hoje existentes na nuvem, para que o novo sistema de supervisão da CVM por IA comece a acompanhá-los.
Em um segundo momento, o sistema passará a incluir os ativos digitais, que aumentará muito a eficiência da supervisão. “Nos ativos digitais, vou ter todas as vantagens possíveis, não vou ter de pedir os dados ao mercado, eles já ficam disponíveis, e vou poder acompanhar o ativo não só na sua criação, mas em toda sua vida, o que deve facilitar também o combate a fraudes e lavagem de dinheiro, por exemplo”, afirmou.
Lobo afirmou, porém, que a CVM continuará contando com a colaboração das entidades do mercado, que hoje também têm áreas de supervisão. “Vamos continuar com as parcerias com os autorreguladores dos mercados”, disse.
Além dos novos sistemas de supervisão, a CVM se prepara também para aumentar suas equipes de tecnologia e de outras áreas, já que a demanda por processos e fiscalizações deve aumentar junto com a supervisão mais eficiente.
Segundo Lobo, a CVM já recebeu autorização para realizar concursos para contratar mil novos servidores nos próximos meses.
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