Ir para o conteúdo
Economia Revisado por ULTRA AI

Escritórios de assessoria têm quase 5 vezes mais profissionais que há uma década

Os escritórios de assessoria têm hoje quase cinco vezes mais profissionais do que há cerca de uma década, com a média passando de aproximadamente quatro assesso

6 min de leitura
Economia — imagem padrão

Os escritórios de assessoria de investimentos no Brasil concentram hoje quase cinco vezes mais profissionais do que há cerca de uma década.

O número médio de assessores por escritório passou de cerca de quatro entre 2012 e 2016 para aproximadamente 19 em 2025, segundo levantamento elaborado a partir dos cadastros públicos de participantes regulados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A mudança ocorreu enquanto a quantidade de empresas permaneceu abaixo do pico histórico. Em 2012, o país chegou a 1. 960 escritórios de assessoria. Em 15 de julho de 2026, eram 1.

Ao mesmo tempo, o contingente de assessores pessoa física atendido por essas estruturas é cerca de quatro vezes maior.

Os números mostram uma transformação na estrutura do setor, com maior concentração de profissionais por empresa.

Para Francisco Amarante, superintendente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), o movimento está relacionado à consolidação e ao ganho de escala da atividade.

Segundo ele, o crescimento da assessoria passou a ocorrer não apenas pela abertura de novas empresas, mas também pela expansão das estruturas existentes.

Três formas de investir com ajuda profissional – qual a melhor e como escolher.

O modelo mais tradicional de assessoria ainda faz sentido? Veja para quem.

O “jeito americano de investir” avança no Brasil; entenda o fee fixo.

A série histórica mostra que a redução no número de escritórios não é recente. Depois do pico de 1. 960 registros ativos em 2012, a base caiu até 1. 172 em 2016.

Desde então, voltou a crescer e chegou a 1. 423 em julho de 2026.

Mesmo no levantamento parcial deste ano, o saldo de escritórios permanece positivo. Entre janeiro e 15 de julho, foram 71 novos registros e 60 cancelamentos, diferença positiva de 11.

O estoque de registros não cancelados avançou 0,8% no período.

Em 2024, o saldo havia sido positivo em 128 escritórios e, em 2025, em 35.

Na avaliação de Amarante, a busca por escala ajuda a explicar a concentração de mais profissionais em uma mesma estrutura.

Escritórios maiores podem distribuir entre uma base mais ampla despesas relacionadas a tecnologia, compliance, jurídico, marketing, treinamento e administração.

A profissionalização da atividade também entra nessa conta, segundo o superintendente. Governança, controles internos, capacitação, segurança da informação, gestão de dados e exigências regulatórias passaram a ocupar mais espaço na operação das empresas.

Setor reúne mais de 26 mil profissionais.

A consolidação dos escritórios ocorre depois de um período de forte crescimento do número de profissionais. O estudo aponta que o contingente de assessores se multiplicou por quatro entre 2018 e 2024.

Atualmente, são 26. 092 assessores pessoa física em funcionamento normal. Há ainda 1. 150 registros suspensos a pedido.

O ritmo de entrada de profissionais, porém, diminuiu depois do pico registrado em 2022. Naquele ano, foram 6. 389 novos registros e 1. 470 cancelamentos, com saldo positivo de 4.

Entre 2019 e 2022, foram registrados, em média, 5. 011 novos assessores por ano. De 2023 a 2025, a média passou para 4. 108 novos registros anuais — patamar que Amarante ainda considera elevado.

Os cancelamentos aumentaram no mesmo intervalo. A média anual passou de 1. 192 entre 2019 e 2022 para 2. 292 entre 2023 e 2025. Com isso, o saldo líquido de profissionais caiu de 4.

919 em 2022 para 3. 032 em 2023, 1. 712 em 2024 e 704 em 2025.

No levantamento parcial de 2026, o saldo ficou negativo pela primeira vez desde 2016. Foram 1. 816 novos registros e 1. 915 cancelamentos até 15 de julho, diferença negativa de 99 profissionais.

Para Amarante, porém, a desaceleração do crescimento não deve ser confundida automaticamente com uma retração estrutural da atividade.

O levantamento aponta impacto do Programa de Educação Continuada (PEC) a partir de abril de 2026, quando registros foram cancelados por descumprimento das exigências do programa, com necessidade de recertificação dos profissionais.

O estudo ressalta que esse processo afeta as bases de registros e cancelamentos.

Dados da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias) citados no levantamento mostram que o número de profissionais credenciados passou de 27.

Desses, 20. 224 estavam vinculados a instituições. O índice de cumprimento do PEC estava em torno de 81%.

Também houve aumento das suspensões. O levantamento contabiliza 639 suspensões iniciadas e ainda vigentes no período parcial de 2026, ante 263 em 2025 e 224 em 2024.

Por isso, Amarante avalia que cancelamentos e suspensões não podem ser interpretados automaticamente como saída definitiva da atividade ou redução da demanda pela carreira.

Espaço para escritórios de diferentes portes.

Apesar do aumento do número de assessores por estrutura, Amarante ressalta que a tendência de consolidação não significa que o mercado ficará restrito às grandes empresas.

Na avaliação do superintendente da ABAI, escritórios pequenos e especializados podem competir principalmente em nichos, regiões ou segmentos específicos de clientes.

A tendência, segundo ele, é de uma indústria mais segmentada, com grandes estruturas convivendo com escritórios de médio porte e boutiques especializadas.

A tecnologia também participa dessa transformação. Segundo Amarante, ferramentas de CRM, atendimento, integração de informações e inteligência artificial podem permitir ganhos de escala, mas também representam custos relevantes para estruturas menores.

Para Amarante, a combinação de crescimento mais moderado no número de profissionais e aumento da escala dos escritórios representa uma mudança de estágio da assessoria.

O ciclo entre 2019 e 2022 foi marcado por uma média superior a 5 mil novos registros de assessores por ano. Entre 2023 e 2025, a média permaneceu acima de 4 mil, mas o crescimento líquido diminuiu diante do avanço dos cancelamentos.

Outro movimento acompanhado pela ABAI é o crescimento da consultoria de valores mobiliários.

O estoque de consultores pessoa física vem avançando entre 22% e 27% ao ano desde 2023, embora a base continue significativamente menor do que a de assessores.

Segundo Amarante, os dados são compatíveis com a possibilidade de migração de parte dos profissionais entre os dois modelos, embora as bases públicas não permitam rastrear individualmente essas mudanças de registro.

Para os próximos anos, Amarante afirma que a expectativa da ABAI continua positiva. Na avaliação da entidade, a assessoria tende a crescer em ritmo mais moderado do que o observado no ciclo de 2019 a 2022.

O estudo estima 122 assessores para cada milhão de habitantes no Brasil, ante aproximadamente 1. 910 profissionais de distribuição por milhão de habitantes nos Estados Unidos.

A comparação tem limitações institucionais entre os dois mercados, mas dimensiona a diferença de penetração das atividades.

Na avaliação de Amarante, o crescimento futuro tende a vir acompanhado de escritórios maiores, expansão para novas regiões, especialização dos profissionais, maior uso de tecnologia e convivência com outros modelos de atendimento.

Em números

  • ## Setor reúne mais de 26 mil profissionais
  • O ciclo entre 2019 e 2022 foi marcado por uma média superior a 5 mil novos registros de assessores por ano
  • Entre 2023 e 2025, a média permaneceu acima de 4 mil, mas o crescimento líquido diminuiu diante do ava

Fontes

Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

Leia também

Mais em Economia
Economia — imagem padrão
Economia

A IA não saiu do controle. É pior do que isso

Mas os "hackers" eram agentes de IA —softwares capazes de executar tarefas cognitivas sem intervenção humana, desenvolvidos com uma combinação de modelos, incluindo um ainda não lançado.

Em Economia