Geradores, comercializadores e clientes que atuam no mercado livre de energia já têm sentido os primeiros efeitos do El Niño no Brasil. O aumento das chuvas no Sul e a piora das expectativas sobre a gravidade do fenômeno mexeram com os preços dos contratos de fornecimento nas últimas semanas.
Dados da BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia) obtidos pela Folha mostram que os preços no mercado de curto prazo —agosto e setembro— chegaram a cair 44% em relação ao que era praticado no fim de maio.
Já os contratos com entrega a partir de 2027 reagiram no sentido oposto e tiveram valorização na casa de 1%. Ainda que essa alta seja modesta, o padrão de flutuação dos preços chamou a atenção de especialistas.
Segundo eles, é raro ver os mercados de curto e longo prazos andarem em direções distintas. Essa "torção de curva" (uma para cima, outra para baixo) pode indicar um receio dos agentes sobre os efeitos que o El Niño terá na geração futura de energia.
O mercado livre de energia é a modalidade em que consumidores negociam prazos e volumes de fornecimento diretamente com as comercializadoras, sem depender da distribuidora local.
Hoje, há cerca de 80 mil clientes nesse modelo, respondendo por 42% de toda a energia consumida no Brasil.
Por enquanto, apenas consumidores de média e alta tensão —como indústrias, shoppings e aeroportos— podem participar do mercado livre. A abertura completa, inclusive para clientes residenciais, acontecerá até 2028.
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O sistema brasileiro depende de água, então se chove mais o preço cai; se chove menos o preço sobe", diz Eduardo Rossetti, diretor-executivo de produtos e relações institucionais da BBCE.
No vértice em que o preço está caindo, há o efeito das chuvas no Sul, onde choveu 256% da média histórica em julho", acrescenta.
Apesar da abundância de água no Sul agora, há um receio no mercado sobre outro efeito característico do El Niño: a intensificação da seca no Nordeste e no Norte do país.
Por isso, os preços para o ano de 2027 chegaram a subir levemente, refletindo uma percepção maior de risco. Contratos que abrangem o período entre fevereiro de 2027 e janeiro de 2028 subiram 1% na comparação com maio e 4% na comparação com junho.
Em números
- Hoje, há cerca de 80 mil clientes nesse modelo, respondendo por 42% de tod
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.