Antônio Carlos Nasraui comanda o Rei do Mate, empresa criada pelo seu pai no centro de São Paulo e que hoje é um dos principais nomes do food service brasileiro.
A marca, com cerca de 300 lojas, teve crescimento de 7% no faturamento de 7% 1º semestre deste ano. Os tíquetes aumentaram em quantidade (avanço de 9%) e valor (acréscimo de 7% no valor médio).
No entanto, o executivo enxerga desafios para o crescimento do varejo no país, entre eles a reforma tributária e o possível fim da escala 6x1 de trabalho. O cenário, para o executivo, é de pessimismo com o país.
O mercado de food service e cafeterias está pressionado? Demais. Não só food service, mas cafeterias e restaurantes também. Com mão de obra, com tudo. O varejo está em um momento muito delicado.
Os juros não vão cair, porque não há dinheiro de fora entrando [no Brasil]. Todo mundo está fugindo.
Como o Rei do Mate consegue continuar crescendo nesse cenário? Conseguimos juntar bons parceiros, tanto entre fornecedores quanto entre franqueados. Estamos de olho em oportunidades de mercado, incluindo a possibilidade de trazer outras marcas para o grupo, desde que estejam no mesmo segmento em que atuamos.
Temos história e ligação com o público brasileiro.
O que o Rei do Mate entende sobre o cliente nacional? Quando a Starbucks chegou ao Brasil, o Howard Schultz [ex-CEO da rede norte-americana] não sabia o que era açaí nem coxinha.
São grandes players, com produtos de qualidade e lojas bacanas, mas a gente sabe o que o brasileiro gosta. Trabalhamos há 30 anos com pão de queijo, por exemplo.
O seu [Juan] Valdez [marca colombiana de café que abriu a 1ª loja no país] não sabe nem o que é pão de queijo, mas vai ter que aprender se quiser fazer sucesso no Brasil.
Como a reforma tributária deve impactar o Rei do Mate e todo o varejo? Será mais um empurrão do varejo para o abismo. Muita gente não tem estrutura, não tem mais para onde correr, não suporta mais aumento de custo e imposto.
Não existe elasticidade para repassar preço ao consumidor, pelo contrário, a briga é para entregar mais cobrando um preço justo. O cliente está endividado e não tem mais margem para absorver aumentos.
O mercado vai ter que se nivelar. É uma preocupação para todo o setor e mesmo uma empresa grande e formalizada como o Rei do Mate sentirá impacto nas lojas. Para a maioria do pequeno varejo, ainda não caiu a ficha do que vem por aí.
A reforma pode gerar mais informalidade, com gente deixando de emitir nota porque não vai ter para onde correr. Com a logística difícil no Brasil e a diferença de impostos entre estados, e agora com a reforma tributária, é uma arte conseguir trazer produto de qualidade e manter um preço justo para um público que está, em boa parte, endividado.
Como o possível fim da escala 6x1 afeta o Rei do Mate e o setor? Lojas menores do que nós serão muito afetadas. É um direito da pessoa querer ficar mais tempo com a família, mas ela também não pode ser proibida de escolher trabalhar mais.
A ideia de trabalhar menos por igual remuneração é uma pauta extremamente popular. É fácil dizer que se quer isso, da mesma forma que uma criança sempre vai preferir ir menos vezes à escola.
Mas isso mexe muito com o mercado, num momento em que o varejo já enfrenta falências, recuperações judiciais e concordatas. Se o custo aumentar, vai haver repasse de preço, e o consumidor, hoje endividado, não tem mais elasticidade para absorver isso.
A empresa deve continuar na família? Lógico.
O Rei do Mate completa 48 anos. Como continuar inovando? A gente precisa se reinventar de manhã e à tarde, a cada período. Antes eu brincava que precisávamos nos reinventar a cada semana.
Já não é suficiente. Lançamos produtos proteicos no início do ano, achando que seríamos disruptivos, mas em poucos meses todo mundo entrou nesse mercado, porque as informações circulam muito rápido hoje.
Antônio Carlos Nasraui, 60 São Paulo, 1966.
É formado em Direito pela FMU e em Economia pela PUC-SP. É filho de Kalil Antonio Nasraui, fundador do Rei do Mate e dedicou-se integralmente à empresa. Em 1992, liderou a entrada do Rei do Mate no sistema de franqueamento, movimento que impulsionou a expansão da marca.
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Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.