O avanço dos eventos climáticos extremos aumenta a necessidade de recursos para recuperar perdas e adaptar cidades, empresas e infraestrutura a novos riscos.
No Brasil, porém, a parcela da economia protegida por seguros ainda é pequena: apenas 9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), ao participar de painel do World Climate Summit, realizado na quinta-feira (06), em São Paulo.
A diferença evidencia o chamado gap (lacuna) de proteção. Segundo Monique, o conceito envolve a proteção de pessoas físicas, seus bens e sua vida, mas também da própria economia.
Quanto menor essa proteção, maior a exposição financeira diante de eventos catastróficos e choques econômicos. Na região Norte, a situação é ainda mais crítica: apenas 2% das atividades e pessoas estariam protegidas, considerando todos os seguros, de acordo com a superintendente.
Na avaliação de Monique, ampliar essa proteção não interessa apenas às seguradoras. A existência de diferentes mecanismos para financiar a recuperação pode diminuir a dependência dos cofres públicos após grandes choques e preservar recursos para novos investimentos.
o Brasil com choques em agro e energia.
Nesse cenário, o setor de seguros busca ampliar sua participação para além do pagamento de indenizações depois que uma perda acontece. A proposta apresentada no painel é que as seguradoras participem mais cedo da análise de projetos, utilizando dados e modelos para identificar riscos físicos, operacionais e financeiros e indicar medidas capazes de reduzir a exposição a perdas.
A necessidade de olhar para frente ganha importância porque a adaptação climática não possui uma linha de chegada equivalente às metas de descarbonização. Mesmo em diferentes cenários de aumento da temperatura global, será necessário continuar investindo para adaptar atividades econômicas e infraestrutura.
Para a executiva, isso exige uma arquitetura financeira capaz de lidar melhor com incertezas e incorporar modelos preditivos que considerem não apenas dados históricos, mas também riscos futuros.
Risco também define para onde vai o dinheiro.
Do lado das empresas, um dos principais obstáculos para acelerar projetos da transição está justamente na percepção de risco.
Rodrigo Lauria, diretor de Mudança Climática e Carbono da Vale, explicou durante sua participação no painel que não existe uma única solução para viabilizar esses investimentos e que, de maneira geral, quanto mais nova a tecnologia, maior tende a ser o risco percebido.
Projetos de biometano, novos combustíveis e mercados de carbono são alguns dos exemplos citados durante o debate.
A saída passa por distribuir melhor esses riscos. Entre as alternativas estão garantias e estruturas de blended finance, que combinam diferentes tipos de capital para permitir que projetos avancem.
Na Amazônia, essa percepção de risco ganha outras dimensões. Luiz Lessa, CEO do Banco da Amazônia, lembrou que as dificuldades para financiar atividades na região incluem logística, infraestrutura e acesso ao sistema financeiro.
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Em algumas localidades, explicou o executivo, deslocamentos são medidos mais adequadamente em horas ou dias do que em quilômetros — há comunidades em que uma viagem até serviços como banco ou atendimento médico pode exigir sete dias de barco, por exemplo.
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Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.