A MRV, construtora e incorporadora mineira, posiciona-se como a maior da América Latina no segmento, com foco em habitações populares —escopo que se consolidou com a ascensão do programa Minha Casa, Minha Vida, criado em 2009, durante o segundo mandato presidencial de Lula (PT).
Em entrevista à coluna, Rafael Menin, co-CEO da construtora, estima que a MRV seja responsável por entre 8% e 10% dos lançamentos do programa governamental nos últimos 17 anos.
Em meio à disputa eleitoral entre Lula, atual presidente e patrono do programa, Flávio Bolsonaro (PL) e outros opositores, Menin não teme que os lançamentos por meio da política pública percam força, muito menos o segmento da construção civil.
Nas eleições deste ano, mais uma vez o cenário é de polarização entre Lula e um integrante da família Bolsonaro, agora Flávio Bolsonaro. Como a MRV se prepara para os dois cenários, considerando que o presidente atual criou o Minha Casa, Minha Vida.
Nosso segmento é um dos mais blindados ao cenário eleitoral. O governo atual foi quem criou o programa, mas os principais concorrentes também têm falado sobre a importância da habitação social.
As associações dialogam com os candidatos, que reconhecem o funcionamento e a importância do programa. Por isso, qualquer que seja o cenário, não temos dúvida de que o segmento vai continuar operando bem.
Outro tema recorrente no setor é a queixa de falta de mão de obra. Essa é uma realidade para a MRV? É um desafio real, embora não homogêneo pelo Brasil —em São Paulo, por exemplo, a concorrência por mão de obra é maior do que em outras capitais.
O setor evoluiu muito em formalidade, segurança nos canteiros e remuneração nos últimos anos, o que deveria torná-lo mais atrativo. Mas ainda é um trabalho que exige esforço físico, e compete com uma economia cada vez mais digitalizada e com os aplicativos.
Por isso, não costuma ser a primeira opção de emprego para quem está entrando no mercado de trabalho.
Qual é a solução? Investir em novas tecnologias, tornando o produto cada vez mais pré-fabricado. O que temos feito é investir em técnicas construtivas mais industrializadas e em produtos padronizados.
A MRV encerrou sua operação de multifamily nos EUA, quando o edifício inteiro é de um único proprietário, que faz a locação. Quais as lições da experiência? Dois fatores prejudicaram a operação nos últimos anos: a alta dos juros norte-americanos, que antes estavam perto de zero, o que reduziu a rentabilidade de quem desenvolve no ramo multifamily; e, em alguns mercados, principalmente no Texas, houve excesso de oferta, apesar do crescimento econômico e populacional da região.
Entre 2021 e 2025/2026, o ciclo foi de rentabilidade muito baixa para a operação americana. Diante do custo de capital mais alto no Brasil, entendemos que fazia mais sentido simplificar a MRV e concentrá-la no mercado tradicional de baixa renda no país.
A saída dos EUA é definitiva? Sabemos que o mercado americano voltará a ser rentável. O setor imobiliário é cíclico. Mas não será por meio da MRV Corp. Nosso foco para os próximos anos é o segmento econômico no Brasil.