Essa questão se tornou um ponto de discórdia nas negociações comerciais entre os EUA e o México, segundo duas fontes do governo mexicano que falaram sob condição de anonimato, porque, por mais que se analise a questão, a “diplomacia do queijo” pode ser delicada.
CIDADE DO MÉXICO, 28 Ago (Reuters) – O que há por trás do nome de um queijo.
Os EUA se opõem ao novo acordo comercial do México com a União Europeia, que concede proteções especiais a centenas de produtos europeus cujos nomes estão vinculados a regiões específicas, como o Parmigiano Reggiano, o feta e o manchego.
O acordo também dá à União Europeia o direito de recorrer judicialmente em caso de violações.
Washington argumenta que o acordo, assinado em maio, impediria futuros produtores norte-americanos de vender queijos no México sob nomes como parmesão e feta. Os EUA há muito defendem que esses nomes são genéricos, enquanto a UE afirma que “parmesão” deve ser reservado para o Parmigiano Reggiano do norte da Itália e o queijo feta para regiões específicas da Grécia.
Os EUA e o México estão no meio de negociações bilaterais espinhosas para garantir um acordo comercial provisório ainda este ano, enquanto discussões paralelas estão em andamento para renovar o Acordo EUA-México-Canadá, um pilar da economia mexicana.
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Essas negociações de alto risco deram aos EUA poder de barganha para defender sua posição em relação ao que se tornou um mercado de bilhões de dólares para os exportadores de queijo dos EUA.
E isso está causando dor de cabeça às autoridades mexicanas.
Embora o tratado entre o México e a União Europeia tenha sido assinado, o México ainda não concluiu os procedimentos necessários para que o pacto entre em vigor, enquanto a União Europeia já o fez, segundo um porta-voz da Comissão Europeia.
Um porta-voz do Ministério da Economia do México afirmou que o acordo precisa ser ratificado pelos parlamentares.
A Comissão Europeia informou à Reuters que não seria possível alterar os termos do acordo e que havia “tomado nota das ações dos EUA” contrárias às proteções para os queijos europeus.
O Ministério da Economia do México e o Escritório do Representante Comercial dos EUA não responderam aos pedidos de comentários, embora a agência norte-americana já tenha se manifestado anteriormente sobre o sistema de proteção de produtos por Indicação Geográfica (IG) da UE.
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CASO DE AMOR DO MÉXICO COM O QUEIJO.
O México está entre os maiores consumidores mundiais de queijo, com preferência por variedades nacionais, como o queijo Oaxaca, de textura fibrosa, frequentemente derretido em quesadillas, e o queso fresco, ideal para coberturas crocantes no café da manhã.
Mas as importações de queijo, principalmente dos EUA, dispararam desde a década de 1980 e agora representam quase 30% do consumo interno, impulsionadas por produtos como o parmesão ralado da Kraft e o manchego “Great Value” do Walmart, além da crescente popularidade das pizzarias no México.
Os produtores europeus de queijo afirmaram que o conflito com os EUA reflete culturas agrícolas opostas — produção em massa versus tradições regionais protegidas.
Vendedores de queijo no México, como Rodolfo Navarro, que dirige uma distribuidora familiar de queijos, apoiam o acordo comercial com a UE porque ele reduziria as tarifas sobre os queijos importados da Europa.
A reclamação de Navarro é contra os produtores dos EUA, que ele e outros fabricantes de queijo mexicanos acusam de praticar preços abaixo dos custos, prejudicando a produção local.
O Instituto de Política Agrícola e Comercial alertou, em 2023, que os produtores de laticínios mexicanos estavam vulneráveis às exportações baratas dos EUA.
O queijo norte-americano tem fama de ser de baixa qualidade, o que é agravado pela popularidade contínua das fatias processadas conhecidas como “queijo americano” — feitas de sais emulsionados e sobras de laticínios, e que, tecnicamente, nem sequer são queijo –, bem como do queijo enlatado e em spray.
Os produtores norte-americanos afirmam que seus queijos superaram os rivais europeus em competições internacionais, enquanto os fãs do queijo processado valorizam sua longa validade, versatilidade e baixo custo.
(Reportagem de Sarah Morland e Emily Green).
Em números
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