Ir para o conteúdo
Economia Revisado por ULTRA AI

China se esforça para promover robôs humanoides, mas demanda real ainda é pequena

Estado chinês é responsável pela maior parte das compras dos autômatos feitos no país

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

Os fabricantes de robôs humanoides na China estão obtendo a maioria de sua receita com a venda de máquinas a centros de treinamento apoiados pelo governo. Esses locais, por sua vez, coletam e revendem dados de treinamento aos próprios fabricantes —modelo que levanta dúvidas sobre a demanda real no setor que Pequim está empenhada em promover.

O modelo, que lembra o financiamento circular da Nvidia para centros de dados de inteligência artificial, impulsionou o chamado setor de IA incorporada da China.

Avaliações de startups como AgiBot e UBTech, listada em Hong Kong, dispararam diante da expectativa de que os humanoides serão o futuro da IA.

Mas os investidores estão começando a questionar se as compras promovidas pelo governo podem levar a uma demanda comercial real.

Um investidor sênior de um fundo de capital de risco de Pequim, que pediu para não ser identificado, diz que muitos investidores concordam que a robótica humanoide está próxima do ciclo de euforia.

Segundo ele, muitos estão buscando formas de reduzir participações.

Como parte do plano de Pequim para desenvolver o setor de robôs humanoides, o governo incentivou administrações locais a construir centros de treinamento nos quais humanos ensinam os robôs a realizar tarefas físicas por meio de um processo controlado remotamente chamado teleoperação.

Isso estimulou a proliferação de startups de robótica. Quase 370 foram criadas nos últimos dois anos, e mais de 50 delas abriram capital ou estão se preparando para fazê-lo.

Os centros, muitas vezes cofinanciados por governos locais e fabricantes de robôs, compram as máquinas, geram dados de treinamento e vendem esses dados aos fabricantes, que os utilizam para aprimorar a tecnologia.

Esse modelo está se espalhando rapidamente porque reduz o custo de construção de instalações, compra de equipamentos e organização de equipes de teleoperação", afirmou Poe Zhao, analista independente de tecnologia chinesa e fundador da Hello China Tech.

Mas ele também ofusca a distinção entre demanda independente e demanda criada em um ecossistema apoiado por políticas públicas.

Apenas uma pequena parcela dos dados é vendida a fabricantes de outros setores, como montadoras de automóveis, para aplicações em linhas de montagem, disseram funcionários dos centros de treinamento.

Outro investidor diz que o modelo não se sustenta. Para ele, investidores começarão a reavaliar suas posições se as empresas não conseguirem provar que seus robôs podem ser utilizados em larga escala em fábricas.

Mais de 90 centros de treinamento haviam sido estabelecidos ou estavam em construção em toda a China até junho, segundo a consultoria Interact Analysis. Os principais centros afirmaram gerar mais de 10 milhões de pontos de dados por ano.

A expansão dos centros de treinamento está reformulando as projeções para o setor. O Morgan Stanley elevou sua estimativa para embarques de robôs humanoides na China em 2026.

A previsão passou de 28 mil unidades em junho para 50 mil unidades agora, com compras acima do esperado por governos locais e usuários comerciais.

Os defensores do modelo argumentam que ele ajudará a desenvolver o setor de robótica e a cadeia de suprimentos do país. Eles citam os exemplos dos veículos elétricos e dos painéis solares —setores que a China hoje domina, mas que tiveram sua demanda inicial impulsionada por compras governamentais.

Em números

  • Os principais centros afirmaram gerar mais de 10 milhões de pontos de dados por ano
  • A previsão passou de 28 mil unidades em junho para 50 mil unidades agora, com

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

Leia também

Mais em Economia