Só nesta semana, duas grandes empresas recorreram à Justiça para reorganizar suas dívidas. O Grupo Gennius, dono das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, pediu recuperação judicial.
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- 🔎 A recuperação judicial permite que empresas renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. Já na recuperação extrajudicial, a companhia negocia a reorganização das dívidas diretamente com os credores. Nos dois casos, o objetivo é evitar a falência e criar condições para que a empresa continue funcionando.
- endividamento acumulado desde a pandemia.
- dificuldade de acesso ao crédito; e.
- mudança no comportamento dos consumidores.
- 🔎 Capital de giro é o dinheiro que uma companhia precisa para pagar suas contas e manter as operações.
- Valor: cerca de R$ 1 bilhão em dívidas.
- Situação: o grupo afirmou que o caixa estava pressionado e pediu medidas urgentes para garantir a continuidade das operações. Mais de 2 mil funcionários tiveram os salários ameaçados pelo bloqueio de valores de vendas no cartão.
- Motivos: juros altos, endividamento das famílias, crédito mais restrito, queda nas vendas e dificuldades financeiras acumuladas desde a pandemia.
- Situação: a rede mantém 32 lojas em São Paulo. A venda para a Cencosud foi acertada paralelamente ao pedido de recuperação.
- Motivos: aumento do endividamento, juros altos, menor oferta de crédito e falta de caixa para cumprir compromissos de curto prazo. A empresa já havia tentado uma recuperação extrajudicial, suspensa em fevereiro.
- Situação: credores que representam cerca de 37% das dívidas incluídas no plano já haviam aderido. A empresa segue negociando com os demais.
- Motivos: queda no número de procedimentos, aumento dos custos, problemas com medicamentos, dívida elevada e dificuldade para gerar caixa.
- Situação: mais de 83 credores já haviam aderido ao plano, representando cerca de 54% das dívidas incluídas.
- Motivos: endividamento elevado, falta de caixa, problemas na cobraça dos planos de saúde e mudança de controle da companhia.
- Situação: a empresa pretende preservar empregos e manter as relações com clientes, fornecedores e parceiros.
- Motivos: dificuldades no varejo, ruptura na estrutura familiar que dava suporte às operações e dificuldade de acesso ao crédito.
- Situação: em agosto, a companhia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. No segundo trimestre, registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões.
- Motivos: juros elevados, crédito restrito, aumento do custo financeiro, enfraquecimento do consumo e dificuldade para concluir operações de captação de recursos.
- Valor: US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas incluídas na recuperação; cerca de R$ 187,1 bilhões considerando também as dívidas entre empresas do grupo.
- Situação: o pedido teve apoio de credores que representam 39,6% dos créditos incluídos. A empresa agora negocia para ampliar esse apoio.
- Motivos: custos relacionados ao desastre geológico em Maceió e piora do mercado petroquímico global, com aumento da produção, queda dos preços e menor força do consumo.
- Situação: o processo reúne 178 empresas e dois produtores rurais. O grupo mantém 119 lojas próprias do Habib's, 26 do Ragazzo e seis unidades Tendall.
- Motivos: efeitos da pandemia, mudanças no comportamento dos consumidores e juros altos.
Dona do Habib’s em recuperação judicial: quais os motivos? Lojas vão fechar.
Já a petroquímica Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial.
Com os novos episódios, agosto já soma cinco casos emblemáticos: três de recuperação judicial e dois de recuperação extrajudicial. E há diversos fatores em comum entre eles.
A lista deste mês inclui a Alliança Saúde, a Marabraz e as Casas Bahia. Considerando todo o ano de 2026, são 12 pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial.
As dificuldades financeiras têm atingido empresas de diversos setores, como saúde, indústria e energia. A maior concentração de casos, no entanto, está no varejo e no consumo.
O especialista explica que, de um lado, os varejistas enfrentam dívidas mais caras e precisam manter estoques elevados. Do outro, os consumidores dependem de parcelamentos para comprar.
A combinação desses dois fatores pressiona o setor.
Para Matos, porém, os pedidos de recuperação não representam um risco sistêmico. “Esses casos foram amplamente telegrafados, com ressalva de auditor, patrimônio negativo e reestruturação anterior.
Se as medidas econômicas não forem firmes, até pode haver retrocesso em pontos como qualidade de emprego e renda. Mas não vejo como um risco imediato", aponta Júlio Moretti, CEO da NEOT, especializada em dados sobre recuperações na Justiça.
Ele estima que o cenário turbulento para as empresas deve se prolongar pelos próximos 2 ou 3 anos. “É consenso que não se trata de algo que vai durar pouco tempo”, acrescenta.
Os pedidos de recuperação judicial e extrajudicial têm algumas causas em comum. Entre as principais estão.
Para Cristina de Mello, professora da PUC-SP, os problemas financeiros das empresas podem ter origens diferentes, ainda que alguns fatores se repitam. “A gente não pode associar a todas o mesmo problema.
Tem causas comuns, sim, mas há causas muito específicas e muito particulares”, afirma.
No caso da Marabraz, por exemplo, ela cita conflitos societários e familiares que comprometeram a renovação de linhas de financiamento e dificultaram o acesso a crédito.
O cenário também é especialmente difícil para companhias do varejo porque muitas trabalham com margens estreitas. “São empresas que precisam muito de capital de giro”, diz Mello.
Segundo Eduardo Terra, fundador da BTR Retail, o momento em que as dívidas foram contraídas ajuda a explicar parte dos problemas. Ele afirma que diversas empresas cresceram no período pós-pandemia recorrendo a empréstimos na expectativa de recuperar os lucros de antes da Covid-19.
Depois, porém, se depararam com um custo maior do que o previsto para pagar essas dívidas.
E não é só isso. O Grupo Gennius, do Habib's, afirmou em seu pedido de recuperação que a mudança no comportamento dos consumidores depois da quarentena foi um dos fatores responsáveis pela crise financeira.
Para os restaurantes, o aumento dos pedidos por delivery e a menor circulação de pessoas nas unidades contribuíram para o fechamento de diversas lojas.
Paula Sauer, professora da FIA Business School, afirma que a rede enfrenta custos elevados com matérias-primas, energia, salários e aluguel, enquanto atua em um segmento de preços baixos e com muitas opções para o consumidor.
Relembre abaixo os casos e as empresas em dificuldades financeiras.
A empresa vinha enfrentando dificuldades financeiras desde a pandemia, quando fechou mais de 17 lojas, e afirmou que o cenário do setor de móveis e decoração agravou os problemas.
Segundo a empresa, o processo não interrompe o atendimento aos pacientes nem as atividades do dia a dia.
As lojas próprias continuam funcionando normalmente, enquanto as franquias ficaram fora do processo.