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Economia Revisado por ULTRA AI

Bilionário Peter Thiel entra na mira da oposição argentina em reação a Milei

Oposição usa mudança do empresário para Buenos Aires para dizer que presidente está vendendo o país

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

A um ano da eleição presidencial da Argentina, Peter Thiel virou um símbolo da acusação da esquerda de que o presidente Javier Milei está colocando o país à venda.

Parlamentares da oposição realizaram na sexta-feira (26) uma audiência de cinco horas no Congresso para investigar os interesses de Thiel na Argentina.

A medida aumenta o escrutínio sobre o bilionário da tecnologia, que comprou uma mansão em Buenos Aires e uma fatia na maior exportadora de petróleo do país.

Thiel também se reuniu com Milei e integrantes do gabinete no início deste ano, justamente quando o líder libertário começou a promover um projeto de lei para facilitar a compra de terras argentinas por estrangeiros e outro que permitiria que empresas fossem administradas inteiramente por inteligência artificial.

A ofensiva legislativa faz parte dos esforços de Milei para atrair novos investimentos estrangeiros ao país. Mas os projetos provocaram forte reação popular, dando aos rivais peronistas a oportunidade de explorar o sentimento nacionalista na preparação para a campanha do próximo ano.

Thiel virou um alvo conveniente. A audiência desta sexta foi estruturada em torno de uma única pergunta, exibida em letras brancas sobre um fundo vermelho-sangue nas TVs de tela plana da sala de reuniões do Congresso: por que Thiel está aqui.

A audiência ocorreu logo após um protesto diante de sua propriedade em Buenos Aires, no qual um grupo de manifestantes se fantasiou de Gandalf, em referência à afinidade de Thiel com "O Senhor dos Anéis.

Vestidos com capas cinza e chapéus pontudos, os manifestantes entoaram cânticos de futebol repletos de palavrões, com letras adaptadas para zombar de Thiel e de sua empresa de análise de dados.

Eles seguravam uma faixa com os dizeres: "Você não passará.

Os parlamentares por trás do espetáculo no Congresso tentaram retratar os interesses de Thiel no país como algo mais sinistro.

Para entender Peter Thiel, talvez precisemos ler menos 'O Senhor dos Anéis' e assistir mais a 'O Exterminador do Futuro 2'", disse Juan Marino, deputado peronista que organizou o evento.

Essa distopia futurista, na qual a tecnologia extermina a humanidade, permite enxergar com absoluta clareza que tipo de futuro e de presente estão propondo aqui.

À esquerda de Marino, a mesa estava ocupada por placas de papel com os nomes de Thiel, Milei e outros integrantes do gabinete. Embora tivessem sido convidados a comparecer, nenhum deles apareceu.

Em seu lugar, parlamentares da oposição reuniram especialistas em IA, tecnologia, teologia e uso da terra para apresentar diferentes teorias sobre os interesses de Thiel na Argentina —muitas delas com alegações de que uma catástrofe poderia estar próxima.

Um representante de Thiel não respondeu a um pedido de comentário.

O espetáculo ocorreu em meio a um período difícil para Milei, cujos índices de aprovação estão próximos dos níveis mais baixos de seu mandato.

No início deste mês, um projeto sobre direitos de propriedade que reduziria as restrições à posse de terras por estrangeiros na Argentina causou indignação pública, levando parlamentares a retirar trechos de maior impacto antes de aprová-lo.

Os opositores agora concentram a atenção em outras propostas, incluindo o projeto sobre IA e outro que estenderia generosos benefícios tributários, aduaneiros e cambiais a novos setores, entre eles os centros de dados.

Milei também pretende criar um programa de concessão de passaportes em troca de investimentos, alimentando as acusações da oposição de que ele está vendendo os recursos da Argentina para fortalecer sua tentativa de reeleição em 2027.

O principal interesse de Thiel na Argentina é ter um bunker para se proteger da possibilidade de precipitação radioativa após um ataque nuclear, disseram duas pessoas a par da situação.

Ele também apoiou com entusiasmo a ideia de Milei de permitir que empresas fossem administradas por IA, mas não redigiu a proposta, segundo uma autoridade do governo que pediu anonimato para tratar de assuntos internos.

Thiel tinha uma palestra marcada em uma conferência empresarial em Buenos Aires na próxima semana, mas cancelou sua participação sem dar explicações.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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