A forma como o brasileiro vai morar nas próximas décadas está mudando – e a grande transformação não virá de um novo material de construção ou de um método mais rápido de erguer paredes.
Para Fischer, a locação institucional – modelo em que a incorporadora constrói, administra e aluga os imóveis, em vez de vendê-los – é a próxima fronteira do setor no Brasil.
O braço do grupo para esse negócio é a proptech Luggo, plataforma de aluguel por assinatura da MRV – que “veio de um ensinamento que a companhia trouxe dos Estados Unidos”.
O modelo, que é gigante nos EUA, ainda engatinha no Brasil e, para Fischer, o principal motivo se chama taxa de juros.
Ao mesmo tempo em que Fischer defende o potencial do modelo, a MRV&CO está, na prática, reduzindo sua exposição ao negócio. Em julho, companhia assinou um memorando com a JiveMauá para estruturar a venda de ativos da Luggo – movimento que o mercado interpretou como mais um passo no processo de desalavancagem do grupo.
O desinvestimento, ainda que pontual, contrasta com o discurso de aposta nesse modelo de negócios e expõe a tensão entre a visão estratégica de longo prazo e a necessidade de fazer caixa em um cenário de juros elevados.
O executivo também disse que o perfil do comprador da MRV – cuja idade média é 31 anos e está adquirindo o primeiro imóvel – mostra que o sonho da casa própria continua forte, mas que a forma de acessá-lo está mudando.
Sobre o envelhecimento da população brasileira, Fischer afirmou que o fenômeno ainda não afeta as decisões de investimento da companhia no curto prazo, mas pode abrir espaço para novos modelos de moradia num horizonte de 5 a 10 anos – especialmente para uma população que já não consegue tomar um financiamento de 30 anos.
Para Fischer, o potencial da indústria de locação institucional no Brasil é “gigantesco”, mas depende de um contexto macroeconômico mais favorável. “A nossa indústria precisa de taxas de juros baixas.
Se não, ela se desequilibra. Quando a gente buscar um equilíbrio econômico que traga uma taxa de juros mais baixa, você vai ver uma indústria que hoje tem uma participação pequena no PIB explodir.”.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.