O acordo do governo Trump para assumir o controle de 65 bilhões de barris do petróleo da Venezuela tem sido duramente criticado por membros da oposição do país e por apoiadores do governo.
O presidente Donald Trump anunciou na noite de sexta-feira (28) um acordo que concede a uma empresa liderada pelos EUA concessões de 100 anos sobre 17 campos de petróleo, que representam mais de um quinto das reservas da Venezuela, as maiores do mundo.
Os dois governos divulgaram poucos detalhes sobre como o arranjo funcionaria na prática e ainda não explicaram de onde viria o novo investimento. Também não está claro qual papel a PDVSA, a petroleira estatal venezuelana alvo de sanções, desempenhará.
Juan Pablo Guanipa, um dos membros mais proeminentes da oposição atualmente na Venezuela, afirmou que o investimento estrangeiro é vital para reanimar a indústria petrolífera do país após anos de má gestão e que o acordo tem "potencial" para impulsionar a atividade.
No entanto, referindo-se ao governo Rodríguez, acrescentou que "enquanto tivermos as mesmas pessoas que destruíram o país e a PDVSA administrando o dinheiro que vem desse acordo, estaremos construindo um arranha-céu sobre a argila.
Henrique Capriles, parlamentar que lidera uma facção moderada da oposição, afirmou haver muitas dúvidas sobre o acordo devido à "opacidade e corrupção" do governo.
Aqueles que destruíram a PDVSA são os mesmos que continuam no poder e não vão reconstruir nada", disse no X. Ele declarou que o governo precisa explicar a base legal do acordo sob a Constituição e o que o povo venezuelano receberá com ele.
No início deste mês, o governo venezuelano e a oposição iniciaram negociações para lançar as bases de novas eleições no país após o pleito de 2024, quando o ex-presidente Nicolás Maduro se declarou vencedor apesar de fortes evidências de que perdeu com folga para o candidato da oposição.
Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram presos em Caracas por forças dos EUA em 3 de janeiro e estão em uma prisão de Nova York aguardando julgamento por tráfico de drogas.
O governo Trump rapidamente apoiou Rodríguez, vice de Maduro, que aprovou leis abrindo os setores de petróleo e mineração ao investimento estrangeiro.
Políticos da oposição temem que o governo Trump fique mais relutante em pressionar por eleições, por depender da permanência de Rodríguez no poder para implementar o novo acordo.
Eles não querem uma eleição em que esse será um dos principais debates", disse uma figura da oposição.
Algumas das críticas mais fortes vieram de nomes associados ao chavismo, movimento no poder desde que o falecido socialista Hugo Chávez assumiu em 1999.
Rafael Ramírez, presidente da PDVSA (2004-2014) e ministro de Energia (2002-2014), afirmou que o acordo representa "o maior saque da história do nosso país.
Sinaliza o fim da PDVSA", disse Ramírez, que rompeu com Maduro em 2017 e vive na Europa. "Agora ela será apenas uma administradora de contratos.
No sábado, grupos de esquerda foram às ruas de Caracas rejeitar a "tutela" da Venezuela pelos EUA. Cartazes diziam "ianques fora da Venezuela.
Fernando Berroterán, da Frente Popular Anti-imperialista, afirmou: "Eles [os EUA] atacaram a pátria venezuelana em 3 de janeiro e hoje tentam nos subjugar.
Em números
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