Coyote Vs. Acme", produção que mistura atores reais com personagens consagrados das animações Looney Toones, como o Pernalonga e o Patolino, demorou três anos para finalmente chegar aos cinemas, nesta quinta-feira (27).
Felizmente, a espera valeu muito a pena.
A comédia amalucada estrelada por um dos personagens mais conhecidos e azarados dos desenhos animados traz todos os elementos que vão deixar os fãs de qualquer idade bem satisfeitos: uma boa história, muitos elementos que mexem com a nostalgia de quem curtiu (e ainda curte) muito esse universo e um humor acelerado e surreal.
A trama é centrada em Wile E. Coyote, que, em sua eterna luta para caçar o Papa-Léguas, se cansa de ter seus planos frustrados porque todos os produtos Acme que adquire falham, o que geram consequências bombásticas (e dolorosas) para ele.
Determinado a obter justiça, Wile pede ajuda ao advogado Kevin Avery (Will Forte, de "Nebraska") para levar a poderosa empresa aos tribunais.
Assista ao trailer do filme "Coyote Vs. Acme.
Só que Kevin terá que lidar com Buddy Crane (John Cena, de "Velozes e Furiosos 10"), seu ex-chefe que se tornou responsável responsável pela defesa da Acme. Em meio a situações inusitadas e inesperados segredos, Wile e Kevin precisam suportar o jogo sujo da corporação para conseguir vencer o caso.
O mais curioso em relação a "Coyote Vs. Acme" é o fato de que o longa quase não chegou a estrear nos cinemas, mesmo que a produção estivesse totalmente finalizada e pronta para ser lançada em 2023.
Após as conclusões das filmagens, o CEO (diretor-executivo) da Warner Bros. Discovery, na época, David Zaslav, decidiu que o filme deveria ficar "trancado no cofre" da empresa por causa de uma estratégia de abatimento fiscal.
Além de "Coyote Vs. Acme", os longas "Batgirl" e a animação "Scooby! Um Natal Mal-Assombrado" também foram "abandonados à sorte.
A decisão fez com que o diretor do filme, Dave Green (de "As Tartarugas Ninjas: Fora das Sombras") mandasse uma mensagem nas suas redes sociais lamentando a medida.
O texto causou comoção entre os fãs, que iniciaram uma campanha para que "Coyote Vs. Acme" deixasse o limbo e conseguisse ser lançado.
Assim, "Coyote Vs. Acme" conseguiu finalmente o seu lançamento mundial em 2026 e a Ketchup fez muito bem em salvar o filme. Seria uma pena se o grande público não tivesse a oportunidade de ver e curtir essa obra que certamente vai agradar ao público dos 8 aos 80 anos.
O bom roteiro, escrito por Samy Burch, a partir de um argumento de Jeremy Slater (de “Mortal Kombat 2”) e James Gunn (sim, ele mesmo, de “Guardiões da Galáxia” e “Superman”), além do próprio Burch, trabalha bem os elementos que geralmente aparecem em filmes de tribunal.
Assim, temos o advogado idealista disposto a lutar até o fim contra uma corporação poderosa e corrupta, a relação que vai se tornando uma verdadeira amizade entre o defensor e seu cliente, além dos golpes e armações feitos pela grande empresa para manter as coisas como estão.
Tudo isso feito com muito bom humor e ironia, como nos desenhos antigos.
E, claro, o filme também aproveita a oportunidade de usar a grande quantidade de personagens clássicos das animações da Warner e os coloca em cena de uma forma bastante eficaz.
Seja numa curta participação (do tipo “piscou, perdeu”) ou mesmo com bem mais tempo de cena. Claro que os mais famosos, como o Pernalonga, o Patolino e o Piu-Piu, além do Coyote e do Papa-Léguas, claro, aparecem bem mais no longa.
Mas os coadjuvantes também surgem para dar o seu recado, mesmo que rapidamente, de uma forma que não soa gratuita ou desnecessária.
É curioso, também, que o filme faça uma inusitada (e, por que não, merecida) homenagem ao ator Peter Lorre, que hoje é praticamente um desconhecido, mas que trabalhou em filmes importantes para o cinema, como os clássicos “M, o Vampiro de Dusseldorf” (1931), “Relíquia Macabra” (1941) e “Casablanca”(1942).
Os cinéfilos certamente vão gostar dessa referência.
O diretor Dave Green também faz um trabalho exemplar tanto no humor quanto em fazer os atores “interagirem” com os personagens animados. Os bons efeitos visuais fazem com que tudo o que aparece na tela pareça natural, por mais surreal que seja.
É claro, não supera o que Robert Zemeckis realizou no clássico “Uma Cilada Para Roger Rabbit” (1988), ainda o melhor filme a misturar pessoas reais com animações, mas mostra um resultado bem mais competente do que o decepcionante “Space Jam: Um Novo Legado” (2022).
O cineasta também se beneficia do bom elenco para obter o ótimo resultado que se vê em “Coyote Vs. Acme. Especialmente com Will Forte como o protagonista de bom coração.
O ator consegue convencer na honestidade de seu personagem, que, mesmo morrendo de medo das consequências que pode sofrer, não desiste de lutar por sua causa, nem por seu cliente, por mais que ele seja um tanto imprevisível.
O astro John Cena parece estar se especializando em fazer brucutus com más intenções, mas com uma forte veia cômica. E, aqui, ele se sai muito bem. As cenas que faz ao lado do Frangolino (que no filme é o chefão da Acme!) são bem divertidas graças ao seu carisma.
Já Lana Condor (a Jubileu de “X-Men: Apocalipse”), não tem muito o que fazer a não ser o braço direito do personagem de Forte. Não atrapalha, mas também não se destaca.
Com um desfecho um pouco previsível, mas ao mesmo tempo tocante (não se surpreenda se alguém chorar no escurinho do cinema), “Coyote Vs. Acme” justifica toda a mobilização que teve para que não ficasse perdido no limbo e jamais fosse visto pelo grande público.
E mostra que os personagens clássicos dos Looney Tunes ainda têm bastante força e energia mesmo nos dias de hoje. Basta que eles sejam parte de um bom projeto que eles sempre vão arrasar e divertir.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Pop & Arte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.