Um corredor do Hospital São João de Deus, em Divinópolis, ganhou balões, bolo, presentes, música e muita emoção na quarta-feira (26). O motivo da festa era especial, Aurora Cristina completou 3 anos de idade.
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Menina de 3 anos ganha festa no hospital onde vive desde que nasceu.
Aurora chegou à unidade ainda recém-nascida, depois de ser diagnosticada com uma síndrome rara: a gastroquise, que causa complicações intestinais. Desde então, nunca voltou para casa.
🔎A gastroquise é uma malformação congênita em que o bebê nasce com um pequeno orifício na parede abdominal, geralmente ao lado direito do umbigo, permitindo que os intestinos e outros órgãos fiquem para fora do corpo sem nenhuma membrana protetora.
O hospital se tornou o lugar onde ela cresceu, aprendeu, brincou e criou vínculos com os profissionais que acompanham diariamente cada etapa da vida dela. E em todos os anos, ela comemorou os aniversários na unidade de saúde.
Para a mãe, Michele Cristina das Mercês Gomes, completar três anos é motivo de esperança. “Três anos, é muito tempo, né? Mas, graças a Deus, o tratamento está dando certinho.
Então, a gente queria que logo ela fosse para casa”, contou.
Uma história que começou com uma doença rara.
Michele conta que nunca tinha ouvido falar sobre a doença antes do nascimento da filha. Os primeiros meses foram especialmente difíceis. Aurora passou oito meses internada no CTI.
Depois desse período, Aurora foi para a pediatria. Foi ali que Michele começou a compreender melhor a condição da filha e a participar cada vez mais dos cuidados.
Hoje, a mãe consegue realizar parte dos procedimentos e acompanha de perto a rotina da menina.
Ao longo dos três anos, a família enfrentou momentos delicados. Um dos mais graves aconteceu em dezembro de 2025, quando Aurora teve uma intercorrência respiratória e precisou voltar para o CTI.
Segundo Michele, a menina permaneceu cerca de um mês na unidade e ficou 17 dias intubada. “Foi muito sério, sabe? Eu achei que ela nem ia voltar, de tão grave que foi”, contou.
Mas Aurora se recuperou. E, para a mãe, a capacidade de superar momentos tão difíceis é uma das características que mais impressionam na filha. “Como ela sempre surpreende a gente, ela tem uma força inexplicável, né.
E isso também acaba dando força para a gente”, disse Michele.
A rotina de uma criança que cresceu no hospital.
Mesmo dentro do hospital, a família tenta proporcionar à Aurora uma rotina o mais próxima possível da de qualquer outra criança de três anos. Ela reconhece os profissionais que cuidam dela e criou vínculos principalmente com as equipes da pediatria e do CTI.
Depois dos cuidados diários, como banho e alimentação, Aurora fica livre para brincar pelos espaços permitidos da pediatria. “Eu tento deixar ela livre aqui brincando.
Às vezes levam ela lá fora. A gente tenta deixar a rotina mais normal possível, apesar de ser no hospital”, explicou.
O “lá fora”, porém, não significa sair do hospital. Por causa do isolamento, os passeios ficam restritos aos corredores da pediatria e a alguns espaços autorizados.
Aurora também precisa evitar contato com outras crianças. E é justamente isso que chama a atenção da mãe. “Lá fora já não pode por conta do isolamento. Às vezes ficam mais crianças andando e ela não pode ter contato.
E ela fica louca na hora que vê uma criança”, contou, emocionada.
Foi nesse ambiente que Aurora comemorou os três anos. A festa reuniu profissionais de saúde, voluntários e pessoas que acompanham a trajetória da menina. Teve bolo, balões, presentes, música e dança.
Por alguns momentos, o ambiente hospitalar ganhou clima de festa infantil.
A comemoração também contou com a participação dos chamados Doutores Palhaços, que fazem parte das ações de humanização da unidade.
A data marcou três anos de uma história que também deixou marcas na equipe do hospital. Para o diretor administrativo do Complexo de Saúde São João de Deus, Amarildo, o caso de Aurora exigiu preparação e mobilização dos profissionais.
Segundo ele, sem a estrutura necessária, Aurora poderia ter precisado ser transferida para outra cidade, o que dificultaria a proximidade com a família.
O sonho de finalmente conhecer a própria casa.
Para Michele, o maior presente de aniversário seria poder levar a filha para casa. Aurora ainda não conhece o lugar onde a mãe vive, não conhece a própria cama, a rotina de uma casa ou a convivência diária com as irmãs.
Por isso, a expectativa da família é que a menina continue evoluindo e possa, finalmente, deixar o hospital.
A mãe sabe que a saída do hospital também vai representar o começo de uma nova etapa, com desafios diferentes. “Lá fora vão ser outras batalhas diferentes, né? Mas estou bem esperançosa.
Para ela, com as irmãs, vai ser tudo diferente”, contou.
Apesar de tudo o que já enfrentou, Michele descreve Aurora como uma criança alegre e que consegue se adaptar às situações. E é justamente essa força que alimenta o sonho da família.
Aos três anos, Aurora ainda espera conhecer o mundo para além dos corredores do hospital. Enquanto esse dia não chega, ela segue cercada por pessoas que aprenderam a comemorar cada pequena conquista ao lado dela.
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