Ataques israelenses a uma cidade no sul do Líbano mataram pelo menos 12 pessoas, incluindo duas crianças, na manhã desta segunda-feira (7), informou o Ministério da Saúde do Líbano, marcando um dos dias mais letais de bombardeios israelenses nas últimas semanas.
Crescem no Líbano os temores de uma nova campanha militar israelense, após dias de escalada nos ataques, apesar de um cessar-fogo estabelecido em junho que visava interromper os combates entre o exército de Israel e o grupo armado libanês Hezbollah.
Uma mulher, que afirmou ser parente de pelo menos três das vítimas, disse que um dos ataques atingiu um prédio residencial no momento em que as crianças se preparavam para ir à escola.
O exército israelense declarou ter atacado pessoas vistas transferindo armas na região da cidade de Kfar Rumman.
No local, repórteres da Reuters viram livros escolares espalhados entre blocos de concreto, onde antes ficava o prédio. Equipes de resgate, utilizando maquinário pesado, trabalharam durante toda a manhã para retirar corpos debaixo dos escombros.
Mustafa Farhat, de oito anos, perdeu os avós e a mãe no ataque, segundo moradores locais. Na manhã de segunda-feira, equipes de resgate ainda buscavam o corpo de seu pai, enquanto o menino recebia tratamento hospitalar para seus ferimentos, acrescentaram.
Uma de suas parentes, Mona Farhat, disse à Reuters que a casa da família foi atingida pouco antes do horário de ir para a escola.
O que eles atacaram? Qual é o objetivo deles? Querem que deixemos nossa terra? Estão enganados", disse Farhat no hospital.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que 11 pessoas — incluindo duas crianças e quatro mulheres — morreram no ataque ao prédio residencial na segunda-feira.
A mídia estatal havia noticiado anteriormente que o ataque ocorreu após a meia-noite.
Um ataque separado realizado por um drone israelense contra um veículo civil na cidade matou um socorrista, segundo o Ministério da Saúde. Outros dois socorristas ficaram feridos na ação, informou a pasta.
Os ataques a Kfar Rumman ocorreram sem que houvesse um aviso prévio de evacuação online por parte do exército israelense.
As forças de Israel afirmaram que medidas foram tomadas para mitigar danos "a indivíduos não envolvidos, incluindo o uso de munições de precisão e vigilância aérea.
As forças armadas declararam estar analisando o relato de que "indivíduos não envolvidos" foram feridos em decorrência dos ataques. As forças armadas de Israel informaram que o Hezbollah lançou dois drones explosivos durante a noite contra tropas israelenses que operavam perto da crista de Ali al-Taher, um conjunto estratégico de colinas no sudeste do Líbano onde se acredita que o Hezbollah tenha construído um complexo militar subterrâneo.
Israel afirmou na semana passada que havia expulsado os combatentes do Hezbollah do local. O Hezbollah não se pronunciou, e a Reuters não conseguiu confirmar de forma independente a situação militar em Ali al-Taher.
Nos dias seguintes, Israel intensificou ataques letais contra cidades ao norte e a oeste da crista, para onde os moradores haviam retornado após o cessar-fogo de junho, disseram autoridades de segurança libanesas à Reuters.
As autoridades afirmaram prever uma escalada contínua no sul nas próximas semanas.
No domingo, pelo menos 11 pessoas morreram em ataques israelenses contra três cidades próximas ao local, segundo um balanço atualizado do Ministério da Saúde do Líbano.
O Ministério da Saúde informou que ataques israelenses distintos, ocorridos no domingo, destruíram o hospital Ghandour, na cidade de Nabatieh al-Fawqa.
Outras quatro pessoas morreram na sexta-feira, incluindo uma mulher, acrescentou a pasta. Esses ataques ocorreram sem avisos de evacuação.
Os ataques israelenses ao Líbano mataram mais de 4. 300 pessoas desde que o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em 2 de março — dois dias após o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã —, desencadeando uma ofensiva aérea e terrestre israelense.
Entre os mortos estão mais de 250 crianças, quase 400 mulheres e mais de 130 profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. O ministério não faz distinção entre civis e militantes, e o Hezbollah não divulgou um balanço de baixas de seus próprios combatentes.
O cessar-fogo levou a uma redução drástica da violência, mas as tropas israelenses que ocupam áreas do sul do Líbano continuaram a destruir vilarejos na autoproclamada zona de segurança.
Os militares israelenses prosseguiram com ataques tanto dentro da zona quanto ao norte dela, na maioria das vezes sem emitir avisos de evacuação.
Em números
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