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Exposição no CCBB do Rio traz a força da arte de mulheres da Amazônia

Idealizada pelo Museu das Mulheres, mostra ocupa salas do segundo andar do CCBB do Rio de Janeiro, após passar por Belém, Fortaleza e Brasília.

5 min de leitura
Brasil — imagem padrão

A inauguração, na última quarta-feira, ocorreu na semana em que se comemora o Dia da Amazônia,criado em 2007 e celebrado em 5 de setembro.

Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a mostra ocupa todas as salas do segundo andar do CCBB RJ, após passar por Belém, Fortaleza e Brasília. A diretora artística Sissa Aneleh disse que a curadoria partiu de seu mestrado e do doutorado em arte, baseados em pesquisas sobre a produção de mulheres da Amazônia, na qual identificou uma tradição.

A exposição tem obras da década de 70 e outras mais antigas na região, que vão completar 100 anos. Também foram incluídas algumas peças de arte moderna do norte do Brasil.

A curadora destacou que pela primeira vez uma exposição reúne as artes de Manaus e Belém, que são dois centros culturais representativos do território amazônico.

A seleção das artistas para participarem da exposição foi a partir do conjunto da obra que tivesse uma permanência do universo amazônico e por extensão a presença muito forte do universo feminino.

Enquanto Belém tem uma representação forte do matriarcado, Manaus, segundo a curadora, tem uma presença feminina interessante. “A gente tem o registro do primeiro grafite em grande escala feito por uma mulher, em homenagem à mulher indígena mãe, e não tem um exemplo feito por um homem.

A Wɨra Tini é uma grafiteira que está com pintura e um vídeo, que é um registro da tia, mãe, filha e avó dela. É bem interessante. Elas vão nesses lugares da presença feminina histórica.”.

A pesquisa mostrou que as artistas têm um apego pelo território que virou temática. “A Amazônia é suporte, é motivo, é a própria obra de arte”, disse.

Sissa destacou o trabalho da Keila-Sankofa em uma obra pautada na identidade afro-indígena do norte do Brasil que é muito forte. “No geral, o Brasil separa a cultura indígena da cultura afro.

Na Amazônia isso chega a ser um mito e uma identidade muito forte.”.

Para a curadora, a mostra traz ancestralidade, biografia, território feminino e ineditismo com a inclusão de três obras da Pinacoteca do Estado do Amazonas, em Manaus.

Pela primeira vez as obras estão sendo expostas no Brasil.

A mostra foi dividida em quatro núcleos temáticos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas que tratam de questões de gênero, regionalismo, identidade nacional e diversidade.

Os trabalhos feitos em pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte são obras das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.

A acessibilidade também está presente na exposição que tem recursos como obra tátil, audiodescrição de obras e intérprete de libras. ”Ao longo do período da mostra, serão realizadas visitas guiadas com a curadora e palestra com algumas artistas.

Também foi lançado o catálogo da mostra”, informou o CCBB.

O vídeo Mensagem para a Amazônia é outra parte da exposição. A obra coletiva está sendo construída ao longo da itinerância da mostra com a participação do público.

De acordo com a curadora é um convite para deixar uma mensagem do público sobre a importância da preservação ambiental.

Além de apreciar as obras, o público pode se divertir no Espaço Petrobras Amazônicas. Em cenário com realidade aumentada - com o uso de óculos 3D - os visitantes podem experimentar uma viagem espacial imersiva e assistir a um filme em realidade virtual.

Quem for à exposição, pode participar de oficinas presenciais de economia criativa, feitas para incentivar o desenvolvimento profissional de mulheres em áreas técnicas e artísticas das artes visuais e plásticas.

Há uma programação formativa em economia criativa do programa Avanço das Mulheres do museu foi preparada. A ideia é buscar o “desenvolvimento de carreira e mais atuação de mulheres no setor cultural nas áreas de produção executiva, projetos coletivos de arte e produção de exposições de artes visuais.”.

Para o público infanto-juvenil foi preparada uma programação educativa: a atividade Sons da Natureza dirigida à “criação de memória sensorial, vivência lúdica com réplicas de esculturas da exposição inspiradas em sementes e sons de animais do Marajó”.

O CCBB informou que, durante a temporada, são realizadas visitas mediadas para escolas públicas e privadas, grupos diversos e programação educativa inspirada no projeto.

Segundo a curadora, as oficinas de economia criativa “foram pensadas para o avanço das mulheres, ampliando a formação técnica e artística de quem está começando ou querendo começar uma carreira profissional no universo artístico e atuar em grandes projetos”.

A exposição fica aberta de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h. Fecha na terça.

Evento foi aprovado na Seleção Petrobras Cultural e conta com patrocínio da Petrobras, via Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura e apoio do CCBB.

A entrada é gratuita e os ingressos podem ser obtidos no site bb.com.br/cultura ou retirados na bilheteria do CCBB, na Rua Primeiro de Março, 66, Centro.

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Fontes consultadas

  • Agência Brasillink

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