O cacique Raoni Metuktire - uma das principais lideranças brasileiras na defesa da floresta, dos territórios e dos povos indígenas - foi diagnosticado com câncer no aparelho digestivo.
Aos 94 anos, ele recebe cuidados paliativos em casa, na cidade Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, onde segue observado por familiares e uma equipe médica.
A informação sobre o diagnóstico foi divulgada pelo Instituto Raoni em comunicado lançado nesta segunda-feira (14).
De acordo com o texto, o líder indígena já havia apresentado problemas de saúde ao longo do ano, incluindo internações por dores abdominais persistentes e cirurgia.
Em junho, foi transferido em caráter emergencial para São Paulo após grave obstrução intestinal provocada pelo tumor. Além da obstrução, sofreu com desidratação, alterações renais, infecção e pneumonia.
Um exame posterior confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado, um tipo de câncer que se inicia em células glandulares.
Por conta da idade, das condições clínicas e dos riscos associados a tratamentos mais agressivos, os médicos indicaram cuidados paliativos para controlar as dores e outros sintomas.
Ainda no comunicado, o instituto ressalta que os cuidados paliativos não significam abandono de tratamento ou desistência, e sim uma mudança no foco da assistência - que também deve ocorrer respeitando as tradições e a cultura do cacique.
Representante do povo indígena Mẽbêngôkre, Raoni ganhou reconhecimento internacional por defender os povos indígenas e a preservação da Floresta Amazônica. Ao longo de mais de 70 anos, se tornou símbolo, participando do movimento indígena durante a Assembleia Nacional Constituinte e articulando debates com líderes mundiais.
**Sob supervisão de Vitória Elizabeth.
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