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Por que dois pandas entraram na diplomacia de Trump e Xi Jinping?

Presidentes se reuniram pela segunda vez no ano. Mas há dois novos personagens na relação EUA-China que revelam muito mais sobre esse encontro. "Entre Dois Mund

3 min de leitura
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A chegada de dois pandas gigantes aos Estados Unidos transformou animais conhecidos pela aparência dócil em protagonistas de uma das mais delicadas disputas geopolíticas da atualidade.

  • Entre Dois Mundos: a diplomacia panda em meio à corrida tecnológica.
  • Como vila de pescadores na China virou concorrente do Vale do Silício, símbolo da inovação e berço de bilionários.
  • Entre Dois Mundos: por que a IA virou campo de batalha entre EUA e China.
  • Entre Dois Mundos: Como China e EUA usam a engenharia como arma de prestígio e propaganda.

Em meio à corrida pela inteligência artificial, às tensões sobre Taiwan e à rivalidade crescente entre Washington e Pequim, a China voltou a recorrer à chamada “diplomacia panda” como um gesto para sinalizar disposição de diálogo e evitar uma escalada de conflitos.

Os novos pandas, Ping Ping e Fu Shuang, chegaram aos Estados Unidos logo após encontros entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente americano Donald Trump, em um momento marcado por divergências estratégicas, mas também por tentativas de manter canais de comunicação abertos.

Ao comentar o envio dos animais, Xi afirmou que “o panda gigante é um mensageiro da amizade entre chineses e americanos”.

A prática tem décadas de história. Antes mesmo da ascensão do Partido Comunista Chinês, pandas já eram usados como instrumento de aproximação internacional. Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo chinês enviou dois exemplares ao Zoológico do Bronx, em Nova York, como forma de agradecer o apoio americano na luta contra o Japão.

Com a vitória dos comunistas em 1949, a estratégia continuou, mas os animais passaram a ser destinados apenas a países aliados do bloco socialista. A mudança mais significativa ocorreu em 1972, quando a China e os Estados Unidos retomaram relações diplomáticas durante a histórica visita do então presidente Richard Nixon a Pequim.

Naquele mesmo ano, pandas foram enviados para Washington e também para o Japão.

De presente diplomático a contrato milionário.

Os animais se tornaram atrações capazes de movimentar o turismo, impulsionar a venda de produtos licenciados e atrair visitantes aos zoológicos.

Há, porém, uma condição importante: todos os filhotes nascidos fora da China pertencem ao governo chinês e devem retornar ao país.

Um símbolo que vai além dos zoológicos.

Segundo o especialista em relações China-América e CEO da Arko Internacional, Thiago de Aragão, os pandas funcionam quase como embaixadores da política externa chinesa.

A estratégia já foi usada em momentos de tensão. Após declarações da então presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, sobre Taiwan e o agravamento das relações entre os dois países, Washington teve de devolver seus pandas em 2023.

Situação semelhante ocorreu no Japão, que ficou sem pandas após o encerramento dos contratos e o retorno dos animais à China.

A chegada do casal de pandas acontece em um período em que China e Estados Unidos competem pela liderança em inteligência artificial e mantêm divergências sobre Taiwan, considerada por Pequim parte inseparável de seu território.

Apesar da rivalidade, os dois governos têm buscado evitar que as disputas avancem para um confronto mais amplo.

Para Thiago de Aragão, os pandas representam justamente essa mensagem de contenção.

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