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Tecnologia

IPO da Anthropic pode mudar o mercado global de inteligência artificial

Anthropic prepara IPO com receita em alta, perdas bilionárias e uma avaliação capaz de influenciar o mercado de inteligência artificial.

3 min de leitura
IPO da Anthropic pode mudar o mercado global de inteligência artificial

A Anthropic, criadora do assistente Claude, iniciou o processo para abrir seu capital e pode protagonizar uma das maiores ofertas públicas de ações da história.

  • Fabricantes de memória: enfrentam a disputa por componentes necessários à infraestrutura de IA.
  • Investidores de capital de risco: podem rever aportes e avaliações de startups do setor.
  • Empresas de software: precisam avaliar custos e benefícios da incorporação de modelos de IA.
  • Provedores de infraestrutura: dependem da demanda para justificar a expansão de data centers e da capacidade computacional.

A operação será um teste para o mercado de inteligência artificial (IA), em meio às dúvidas sobre as avaliações bilionárias do setor.

O resultado também pode influenciar a futura estreia da OpenAI na Bolsa e mudar a disposição dos investidores de financiar empresas ligadas à tecnologia.

Crescimento acelerado e pressão por resultados.

Investidores já avaliam a Anthropic em trilhões de dólares. Fundada há cinco anos, a empresa divide com a OpenAI o protagonismo no mercado de IA. A concorrente também apresentou documentos confidenciais para abrir seu capital, mas não prevê uma estreia antes de 2027.

O cenário financeiro, porém, ficou menos favorável. Empresas de computação em nuvem voltadas à IA e operadoras de data centers sofreram quedas nas ações. A australiana Firmus retirou seus planos de IPO, assim como a Solidigm, unidade americana da SK Hynix.

No mesmo período, a receita avançou rapidamente, impulsionada pela adoção de ferramentas de programação e produtividade por empresas.

Gigantes de tecnologia também estão expostas.

A relação da Anthropic com as grandes empresas do setor vai além da concorrência. Quase metade de sua receita vem da venda do Claude por meio dos serviços de nuvem da Microsoft, Amazon e Alphabet, controladora do Google.

As três companhias também investem na desenvolvedora.

A infraestrutura necessária para desenvolver os modelos envolve chips da Nvidia, AMD, Amazon e Google. Por isso, uma mudança na disposição dos investidores em financiar a IA pode repercutir em diferentes segmentos da indústria.

Brad Bernstein, sócio-gerente da FTV Capital, avalia que um desempenho abaixo das expectativas pode provocar uma reavaliação mais ampla dos investimentos em startups de inteligência artificial.

O impacto pode alcançar diferentes partes da cadeia tecnológica.

Outro desafio vem dos modelos de pesos abertos, que permitem personalização e podem custar menos. Entre os concorrentes estão soluções da Moonshot AI, DeepSeek e Zhipu.

No documento apresentado para a abertura de capital, a Anthropic citou nominalmente OpenAI e Google como concorrentes, mas reconheceu a existência de um conjunto mais amplo de fornecedores.

A empresa vê espaço para crescer: no trimestre mais recente, companhias da lista Fortune 500 comprometeram menos de 0,1% de suas despesas totais com seus modelos e serviços.

Há, contudo, riscos para o mercado. Juros mais altos encarecem a captação de recursos, e uma redução da liquidez destinada à IA pode pressionar as ações. David Trainer, presidente-executivo da New Constructs, estima um risco de queda de 20% no S&P 500, concentrado principalmente nos papéis ligados ao setor.

A estreia da Anthropic será, portanto, um teste para as expectativas em torno da inteligência artificial. A reação dos investidores poderá influenciar tanto as avaliações de outras empresas quanto os planos da OpenAI de entrar na Bolsa.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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