De acordo com o estudo, a IA poderia gerar impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo dos quatro anos, com expansão média de 0,69 ponto percentual por ano na economia associada à tecnologia.
Os autores, porém, destacam que os ganhos não devem ocorrer de uma só vez. A materialização do potencial dependerá da velocidade com que empresas, trabalhadores e governos adotarem as novas ferramentas.
IA não significa necessariamente substituição de trabalhadores.
O estudo também faz distinção entre a exposição de determinadas tarefas à IA e a substituição completa de profissionais.
Segundo os autores, uma ocupação pode ter diversas atividades expostas à tecnologia sem que isso signifique que a função inteira será automatizada.
No cenário central considerado pela pesquisa, de cada 100 tarefas cognitivamente expostas à IA, 23 poderiam passar pelo teste de custo-benefício para automação plena.
As outras 77 seriam consideradas atividades em que a tecnologia atuaria como complemento à produtividade humana.
Um dos exemplos apresentados é o de um assistente administrativo. Atividades repetitivas e codificáveis, como classificação de documentos, conciliação de agendas e lançamento de dados, poderiam ser mais suscetíveis à automação.
Em contrapartida, um engenheiro de software poderia usar IA para acelerar tarefas, como correção de códigos e produção de documentação, enquanto atividades relacionadas a julgamento, coordenação e definição de projetos continuariam dependendo do profissional.
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IA adapta respostas ao usuário e pode reforçar suas crenças.
Brasil pode levar mais tempo para capturar os ganhos.
Apesar do potencial estimado, a pesquisa considera que a adoção da IA no Brasil tende a ocorrer de maneira mais lenta do que em economias avançadas. Entre os fatores apontados estão a heterogeneidade entre empresas, o custo elevado do crédito, as lacunas de qualificação profissional e limitações de infraestrutura.
Pelas projeções do estudo, até 2030 terão sido realizados 66,6% dos ganhos potenciais relacionados ao aumento da produtividade dos trabalhadores e 62,4% dos ganhos associados a máquinas, equipamentos e estruturas mais produtivas.
O estudo aponta uma série de medidas que poderiam ajudar o Brasil a transformar o potencial estimado em ganhos efetivos para a economia.
Entre elas, estão a requalificação profissional de trabalhadores em atividades com maior potencial de substituição, a expansão da infraestrutura digital no campo e a criação de incentivos para que empresas com menor produtividade adotem IA.
Os autores também defendem a implementação de um marco regulatório previsível, políticas de governança e dados abertos e a utilização da tecnologia nos serviços públicos.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Indústria deve concentrar maior impacto.
O levantamento divide os efeitos da IA em dois canais principais: o aumento da produtividade dos trabalhadores e a maior eficiência de máquinas, equipamentos e estruturas produtivas.
No cenário analisado, 65% do impacto total viria do aumento da produtividade do trabalho, enquanto os 35% restantes seriam resultado da maior eficiência do capital.
Já em setores com maior concentração de atividades cognitivas, o efeito sobre a produtividade dos trabalhadores seria predominante.
Nas atividades financeiras, 87% do impacto estimado estaria relacionado ao trabalho, maior percentual entre os 12 setores analisados. Bancos, seguradoras e gestoras de investimentos poderiam utilizar IA em tarefas, como revisão de documentos, avaliação de riscos, classificação de sinistros e atendimento a clientes.
Em números
- IA pode adicionar quase R$ 1 tri ao PIB do Brasil até 2030, diz estudo
Fontes
Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.