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Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Controlar o salário, esconder bens e negar acesso à conta: o que é violência patrimonial e o que fazer

A violência patrimonial é uma forma de abuso que tira a autonomia financeira da mulher. Saiba como a Lei Maria da Penha a define, como provar e onde buscar ajud

4 min de leitura
Controlar o salário, esconder bens e negar acesso à conta: o que é violência patrimonial e o que fazer

A violência patrimonial, definida na Lei Maria da Penha, ocorre quando bens e recursos são retidos ou destruídos para controlar a mulher.

A diferença entre briga por dinheiro e violência está no uso do controle financeiro para tirar a autonomia feminina.

Provar o esvaziamento de patrimônio exige documentos como extratos bancários e declarações de Imposto de Renda.

A busca por apoio antes de coletar provas é crucial para a segurança da mulher, evitando exposição ao agressor.

Os artigos 181 e 182 do Código Penal, de 1940, ainda dificultam a proteção em casos de violência doméstica.

Especialistas defendem que a aplicação dessas regras esvazia a Lei Maria da Penha, com o tema em discussão no STF.

O caminho civil ganha peso com pedidos de indisponibilidade de bens e medidas protetivas para evitar transferências.

Nada disso deixa marca no corpo, e tudo isso tem nome na lei: violência patrimonial.

Está no artigo 7º, inciso IV, da Lei Maria da Penha, e a definição é larga. Inclui reter, subtrair ou destruir bens, documentos pessoais, instrumentos de trabalho, valores e recursos econômicos, inclusive os destinados a satisfazer necessidades básicas.

A linha entre briga por dinheiro e violência.

O assunto é o tema do novo episódio do podcast Direito de Quinta, que recebeu a advogada criminalista Andrea Flores, conselheira federal da OAB, doutora em Direito pela PUC-SP e professora da UFMS e da UCDB, segundo a produção do programa.

Discutir contas em casa não é violência. A diferença, explicam os apresentadores Amanda de Moraes Souza e Leonardo Moraes Veloso, está no uso do controle: quando o dinheiro deixa de ser assunto do casal e vira instrumento para tirar a autonomia da mulher, criar dependência e tornar o rompimento inviável.

O que serve de prova, e um cuidado antes.

O boletim de ocorrência é o começo, mas raramente basta. Provar esvaziamento de patrimônio costuma exigir papel: extratos bancários, declarações de Imposto de Renda, contratos, escrituras, mensagens.

Aqui vale um cuidado que a orientação jurídica costuma vir acompanhada e que não pode ser separado dela: procurar documentos dentro de casa pode expor a mulher se o agressor perceber.

Por isso a recomendação é buscar apoio antes, e não depois. Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira reúne delegacia especializada, Defensoria Pública e apoio psicossocial no mesmo prédio, 24 horas por dia.

Os endereços e telefones estão na caixa ao fim desta reportagem.

A regra do Código Penal que ainda atrapalha.

Há um obstáculo no meio do caminho, e ele não foi removido.

Os artigos 181 e 182 do Código Penal preveem as chamadas escusas absolutórias: em crimes contra o patrimônio praticados entre cônjuges na constância do casamento, e entre parentes próximos, a lei isenta de pena ou condiciona a ação penal.

A regra é de 1940 e parte da ideia de não levar a disputa patrimonial da família para dentro do processo criminal.

Especialistas sustentam que aplicá-la a casos de violência doméstica esvazia a proteção da Lei Maria da Penha. O tema está no Supremo Tribunal Federal, na ADPF 1.

185, proposta pela Conamp, associação nacional dos membros do Ministério Público, e até agora sem decisão.

Ou seja: a discussão está aberta, e o dispositivo continua no papel. É exatamente por causa dele que o caminho civil ganha peso, com pedidos de indisponibilidade de bens, medidas protetivas e providências que impeçam novas transferências enquanto o patrimônio ainda existe.

O episódio termina com o quadro Mito ou Verdade, que responde a dúvidas como a necessidade de entrar com o divórcio antes de proteger os bens e se um bem que não está no nome da mulher pode ser considerado dela.

As três respostas, com base na lei, estão na caixa abaixo.

O Direito de Quinta é produzido pelo escritório Moraes Souza Advocacia e tem episódios no Spotify e no YouTube.

Fontes

Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • A Críticalink