A Anthropic escolheu a Accenture como sua primeira avaliadora externa incorporada (“embedded evaluator”), em medida concreta para começar a colocar em prática a proposta do CEO, Dario Amodei, de desacelerar o ritmo de desenvolvimento dos sistemas de inteligência artificial (IA) mais avançados.
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- Amodei apresentou seu plano de três etapas para conter o ritmo de avanço dos sistemas mais sofisticados de IA em meio ao aumento das discussões sobre os riscos associados ao desenvolvimento acelerado da tecnologia.
- A proposta recebeu apoio de alguns executivos do setor, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman, e Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX. Outros adotaram posição diferente. Jensen Huang, CEO da Nvidia, rejeitou as preocupações e argumentou que não haveria necessidade de novas regulamentações.
- A iniciativa também levantou questionamentos sobre como a proposta poderia funcionar na prática, especialmente enquanto a Anthropic se prepara para uma possível abertura de capital.
A parceria permitirá que especialistas da Faculty, divisão de IA da Accenture, trabalhem dentro da Anthropic para avaliar os mecanismos de segurança da empresa.
A iniciativa prevê testes de salvaguardas, exercícios de red team e análises para verificar se os modelos de IA estão se comportando de acordo com valores humanos.
A Anthropic, porém, afirmou que, devido à importância e à urgência do trabalho, financiará diretamente as atividades da Accenture.
A empresa disse que, no longo prazo, a expectativa é que esse tipo de trabalho seja financiado por recursos compartilhados ou governamentais, conforme previsto no Advanced AI Framework apresentado pela Anthropic em junho.
Como essas estruturas ainda não existem, a companhia pretende trabalhar com diferentes avaliadores e modelos de financiamento.
Avaliadores terão acesso interno à Anthropic.
A proposta de Amodei prevê que avaliadores independentes recebam acesso em nível de funcionário às empresas de IA. O objetivo é permitir que esses especialistas verifiquem diretamente as práticas de segurança e comuniquem incidentes.
Ao anunciar sua proposta, Amodei afirmou que a Anthropic se comprometeria “unilateralmente” com essa primeira etapa e incentivou outras empresas do setor a fazerem o mesmo.
A parceria com a Accenture não será exclusiva. A Anthropic afirmou que também está conversando com a organização de pesquisa sem fins lucrativos METR e com outras entidades que poderão participar do processo.
A empresa ressaltou, porém, que continuará sendo responsável pela segurança de seus modelos. A presença de avaliadores externos dentro da companhia não reduzirá essa responsabilidade.
Proposta de Amodei gerou reação no setor.
Com a entrada da Accenture, a companhia dá o primeiro passo concreto para transformar uma das principais ideias do plano de Amodei em uma estrutura operacional: permitir que uma organização externa tenha acesso direto à empresa para avaliar seus sistemas de segurança e identificar possíveis problemas antes que eles se agravem.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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