Ir para o conteúdo

Segunda-feira, 12 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 26°C Céu limpo

Saúde

Médicos reconhecem que é difícil falar sobre sexo com pacientes mais velhos

“Precisamos abrir essa porta. A conversa tem que fazer parte da rotina do consultório”, afirmou geriatra em evento

4 min de leitura
Médicos reconhecem que é difícil falar sobre sexo com pacientes mais velhos

Mudanças fisiológicas são barreiras para a atividade sexual? Esse era o painel que eu mais aguardava no GeriatRio 2026, que já foi tema das duas últimas colunas.

  • Vida sexual: 73% das pessoas são sexualmente ativas entre os 57 e 64 anos; 53% entre 65 e 74 anos; e 26% entre 75 e 85 anos. Nesse último grupo, 54% têm pelo menos de duas a três relações por mês. No entanto, 60% dos indivíduos acima dos 65 anos não se sentem à vontade para tocar no assunto com o profissional de saúde.
  • Falta de comunicação: Apenas 38% dos homens e 22% das mulheres acima dos 50 discutem sua vida sexual com o médico, mas a imensa maioria gostaria que ele tivesse tomado a iniciativa.
  • Tratar os sintomas que comprometem a atividade sexual (dor, incontinência, depressão).
  • Promover adaptações, como sugerir posições mais cômodas, ou analgesia antes do sexo para quem sofre, por exemplo, com dores de artrose.
  • Discutir a ampliação do repertório sexual, investindo em carícias, masturbação, não se limitando ao ato com penetração.
  • Aliviar o quadro de síndrome geniturinária com o uso de lubrificantes, hidratantes intravaginais e estrogênio vaginal. A condição piora com o tempo se não houver tratamento, afetando também a mulher que não é sexualmente ativa.
  • Encaminhar para outros especialistas (fisioterapeutas, urologistas etc.).
  • DoxiPEP: profilaxia pós-exposição para ISTs bacterianas, principalmente sífilis e clamídia – disponível no SUS, a doxiciclina é ingerida por via oral em dose única, idealmente nas primeiras 24 horas depois da exposição e em até 72 horas.
  • PEP: a profilaxia pós-exposição ao HIV não é indicada somente para casos de violência sexual, pode ser utilizada mesmo quando houve consentimento. Deve começar em até duas horas depois da relação, mas o prazo máximo é de 72 horas, com duração de 28 dias.
  • PrEP: a profilaxia pré-exposição ao HIV pode ser diária ou sob demanda. Fora do Sistema Único de Saúde, há também a injetável, a ser ministrada em intervalos de seis em seis meses. O acompanhamento médico é indispensável para monitorar efeitos colaterais nos rins e na densidade óssea.

Brasileira fala sobre sexo na terceira idade: ‘Eu transo sim e gosto muito’.

Pelo visto, não era a única interessada, porque a sessão ficou lotada. Coube ao geriatra Gustavo de Jesus Monteiro, vice-presidente da SBGG-RJ, abordar um dos tópicos que exploro no meu livro Sexo 60+ – prazer sem data de validade: a dificuldade de falar sobre a questão no consultório.

Sua primeira frase foi reconhecer que “o silêncio começa em nós”, e compartilhou diversas pesquisas. Aqui vão alguns dados.

Outra informação interessante compartilhada por Monteiro foi sobre a duração da vida sexual dos indivíduos. Aos 55 anos, há uma estimativa de mais 15 anos para os homens e dez para as mulheres.

Entretanto, se eles têm parceiros, a expectativa é praticamente igual, em torno de 16 anos para ambos.

Na sua avaliação, a principal barreira para o sexo não é idade das pessoas, e sim a saúde física e mental. “Mudança não é doença”, enfatizou, ao fazer uma relação de problemas que surgem com o envelhecimento – para as mulheres, por exemplo, o desconforto com a penetração; para os homens, a ereção menos rígida e duradoura.

O geriatra explicou que, para superar as dificuldades, é possível realizar o que chamou de “intervenção escalonada”, a saber.

Thelma Flosi, infectologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, reforçou a necessidade de acolhimento e franqueza com os pacientes para protegê-los do risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível (IST).

Por fim, citou diferentes abordagens de prevenção, além de vacinas como as contra hepatite A e B.

E como falar de sexo sem infantilizar a pessoa mais velha ou descambar para o discurso moralista? Esse foi o papel da psicóloga Ana Cristina Nunes Barbosa, especialista em sexualidade humana.

O constrangimento em esclarecer as queixas se dá, muitas vezes por falta de informação e formação adequada para seu uso na prática”, discorreu.

Barbosa argumentou que formular perguntas como “você se masturba?” vai, quase sempre, levar a uma resposta negativa. Em vez desse tipo de interpelação, citou a anamnese utilizada pelo casal Masters e Johnson – o ginecologista William Masters e sua assistente (e depois terapeuta sexual) Virginia Johnson – que revolucionou o que se sabia sobre sexualidade humana no século XX.

Que falemos cada vez mais do sexo maduro.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Saúde
Musica — imagem padrão
Musica

Jason Newsted se emociona ao falar sobre Cliff Burton

Priorize as nossas notícias em suas Buscas Google. Jason Newsted, que assumiu o posto deixado por Burton após sua morte, relembrou a admiração que sentia pelo músico e falou sobre o impacto que sua habilidade como baixis

Em Musica