O alerta faze parte de levantamento apresentado por pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que reúne dados sobre a concentração de poluentes e a distribuição dos focos de incêndio no estado.
O documento reúne informações sobre as concentrações de material particulado fino (PM2. 5), a distribuição dos focos de incêndio e as previsões de qualidade do ar para diferentes localidades do estado.
A publicação também aborda os possíveis efeitos da intensificação do fenômeno El Niño em 2026 e 2027 sobre as condições climáticas na região amazônica.
Nos primeiros dias de outubro deste ano, Manaus registrou episódios de poluição atmosférica intensa, com concentrações de PM2. 5 muito superiores aos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Composto por partículas capazes de penetrar profundamente nos pulmões e, em determinadas condições, alcançar a circulação sanguínea, o poluente está associado ao aumento do risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, incluindo agravamento da asma, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
A exposição representa uma preocupação para toda a população, especialmente crianças, pessoas idosas, gestantes e indivíduos com doenças preexistentes.
Nos territórios indígenas, os riscos associados a exposição à fumaça podem ser agravados pelas desigualdades socioambientais, pelas dificuldades de deslocamento e pelas limitações de acesso aos serviços de saúde, sobretudo à atenção especializada e de maior complexidade.
O levantamento apresenta informações sobre a distribuição territorial das concentrações observadas e previstas de PM2. 5 em relação aos focos de incêndio e às aldeias indígenas.
O documento também destaca a necessidade de acompanhar as condições ambientais diante da possível intensificação do El Niño, que pode favorecer períodos de estiagem e aumentar o risco de propagação de incêndios florestais em determinadas áreas.
Entre os temas abordados pelo documento está o desenvolvimento do Sistema AlertAr Saúde, ferramenta de monitoramento e previsão da qualidade do ar voltada à saúde indígena, em elaboração pelo Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.
O sistema busca integrar previsões de concentração de PM2. 5 e informações sobre focos de calor e incêndios, permitindo identificar antecipadamente situações de maior exposição nos territórios indígenas.
Essas informações poderão subsidiar o planejamento de ações de vigilância, prevenção e resposta pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e suas equipes de saúde.
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