Novas imagens da barbárie que chocou o país.
Claudio Rafael Landeiro, 37 anos, foi espancado até a morte após ser acusado injustamente de roubar uma bicicleta em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Imagens de câmeras de segurança mostram sequência da abordagem, perseguição e agressões que terminaram em sua morte.
De acordo com a investigação, Rafael saiu de casa, em Botafogo, bairro da zona sul carioca, às 22h26 de 11 de agosto. Ele estava na bicicleta da irmã. Vinte e oito minutos depois, chegou a uma loja de conveniência em Copacabana.
No estabelecimento, pediu um cigarro avulso. Um funcionário contou que disse que não poderia dar o cigarro de graça. Rafael então deixou a loja.
Às 23h21, um segurança, Davi Santos Machado, aparece conversando com Rafael na entrada do estabelecimento. Segundo a investigação, ele perguntou de quem era a bicicleta.
Em seguida, segundo as investigações, Davi chamou outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias. As imagens mostram Rafael conversando com os dois e, em determinado momento, apertando a mão de Davi e dando dois tapinhas nas costas dele.
Câmeras de segurança das ruas de Copacabana mostram que pelo menos sete pessoas se mobilizaram na perseguição a Rafael. Segundo a reportagem, informações equivocadas foram sendo repassadas entre as pessoas.
Jorge aparece segurando a bicicleta enquanto atravessa a Rua Barata Ribeiro, que fica em Copacabana, com Davi e Rafael. Ele monta no veículo e começa a pedalar para longe.
Rafael tenta impedir que Jorge leve a bicicleta. Davi volta para a esquina e, em seguida, aparece com um porrete. Ele ataca Rafael e o persegue.
Jorge consegue levar a bicicleta até a região da praia de Copacabana. Rafael, enquanto isso, segue a pé.
Perto da meia-noite, entregadores que costumavam ficar em uma esquina aguardando pedidos são avisados de que havia um suposto ladrão de bicicleta na região.
Os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva chegam ao local onde Rafael havia sido visto. Segundo a investigação, Davi informa aos dois que o suposto ladrão havia acabado de passar.
Rafael dobra em uma rua. Os entregadores passam a persegui-lo.
Sem reagir, ele se senta na escadaria de um prédio. Os dois entregadores chegam e o abordam. Eles tiram os celulares e passam a chamá-lo de ladrão. Na sequência, começam as agressões.
Um homem que não foi identificado aparece e dá um chute em Rafael. Davi volta ao local com o porrete. As imagens mostram golpes, socos e chutes contra a vítima.
Segundo a investigação, foram 63 pauladas durante os cerca de nove minutos de linchamento. Ele também foi atingido diversas vezes na cabeça. Depois que os agressores deixam o local, Rafael permanece no chão.
Ele teria aguardado cerca de 30 minutos até a chegada do socorro.
Quatro pessoas foram presas por participação no crime: os seguranças David Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, além dos entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva.
Segundo a reportagem, os seguranças e Felipe confessaram o crime. Ailton ficou em silêncio durante o depoimento.
As imagens também mostram Jorge nas proximidades do local das agressões. Segundo seu depoimento, ele teria dito a Davi: “Você vai ficar rindo, tem noção do que você fez?”.
Ainda de acordo com o relato apresentado na reportagem, Davi não respondeu e continuou rindo.
A polícia também pretende identificar outras pessoas que presenciaram as agressões.
A família de Rafael levou alguns dias para descobrir o que havia acontecido. A irmã, Fabiana Landeiro Hansen, contou que a certidão de óbito demorou a ser emitida e, por isso, o registro da ocorrência só foi feito na segunda-feira seguinte.
Ela também afirmou que não pretende deixar o caso cair no esquecimento. “Não vou parar, não vou desistir. Vou lutar até o fim pelo meu irmão e eu não vou deixar cair no esquecimento de jeito nenhum.”.
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Fontes
Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.