Ir para o conteúdo
Regionais Revisado por ULTRA AI

Mãe de vítima de acidente da Voepass relata surpresa com número de indiciados e desabafa: 'Profissionais fazendo gambiarra'

Fátima Albuquerque também chamou de "gambiarra" as manutenções feitas por mecânicos nos aviões da companhia. Ao todo, 16 pessoas irão responder criminalmente pe

8 min de leitura
Mãe de vítima de acidente da Voepass relata surpresa com número de indiciados e desabafa: 'Profissionais fazendo gambiarra'

Fátima Albuquerque, mãe de uma das vítimas do acidente com o avião da Voepass, que deixou 62 mortos em Vinhedo (SP) em agosto de 2024, relatou surpresa com o número de indiciados no relatório final da Polícia Federal (PF) divulgado nesta quinta-feira (6). Ao todo, 16 pessoas irão responder criminalmente pela queda da aeronave.

"A nossa surpresa hoje é ter tanta gente envolvida, é ter tanta gente aliciada para viver uma cultura criminosa", comentou. A Associação de Familiares das Vítimas, da qual Fátima é presidente, teve acesso ao relatório antes da coletiva para divulgação do documento à imprensa.

Ela ainda chamou de "gambiarra" as manutenções feitas por mecânicos nos aviões da companhia — o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e a PF constataram que havia uma "maquiagem" nos prazos de utilização de peças para permitir a liberação de aeronaves.

"Se vocês lerem os relatórios, se vocês já viram o do Cenipa: são gambiarras, são coisas que faziam deliberadamente quando sabotavam a fiscalização. E contavam com tanta impunidade que mesmo na fiscalização assistida, com a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] lá dentro, eles faziam a mesma coisa", disparou Fátima.

"Eram profissionais preparados, como engenheiro formado na USP [Universidade de São Paulo], sabotando a fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar", completou.

A presidente da associação comentou que o acidente era "tragédia anunciada" e denominou a operação da Voepass como um "modus operandi criminoso". Por fim, Fátima fez um apelo para o fortalecimento das agências fiscalizadoras.

"Vocês viram a importância da Anvisa na pandemia. Vocês viram a importância da Enel nos apagões de São Paulo. E, agora, a importância da Anac. A Anac fez tudo certo, mas hora de ter força, não teve", ponderou.

Em nota, a Voepass diz compreender que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e "aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente".

"A Voepass reitera sua solidariedade às famílias das vítimas e reafirma que permanece à disposição das autoridades, das instituições competentes e dos demais agentes envolvidos para prestar todos os esclarecimentos necessários" - leia a nota na íntegra abaixo.

Já Adriana Ibba, mãe de Liz, de 3 anos, a vítima mais jovem do acidente, descreveu um "sentimento de vitória" após a divulgação do relatório. No entanto, ela também destacou que o documento é o início de uma "longa caminhada por Justiça".

"Eu recebo um sentimento de vitória. A expectativa era de dois anos por esse momento. E é o início de uma longa caminhada que nós teremos pela frente, porque nós vamos até o fim da justiça por eles", comentou.

Adriana disse que a eventual punição dos indiciados não é capaz de reparar a perda das famílias, mas ressaltou que o caso deve servir de alerta para a segurança da aviação brasileira. "A gente vê de forma muito positiva o trabalho da Polícia Federal, que vai ser um marco para a história e para a segurança da aviação como um todo."

Após a conclusão do inquérito da PF, familiares das vítimas pretendem ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais. Segundo o advogado Leonardo Amarante, a medida não substitui as ações individuais de indenização já em andamento. A intenção é buscar a responsabilização de empresas, pessoas físicas e eventuais instituições que tenham contribuído.

As famílias defendem que o processo judicial resulte na responsabilização dos envolvidos e afirmam que também continuarão cobrando medidas para fortalecer a fiscalização da aviação civil.

Entre os responsabilizados pelas investigações estão o dono da companhia de Ribeirão Preto (SP), José Luis Felicio e o diretor de manutenção Eric Cônsoli, apontado por ex-funcionários como uma figura de grande influência dentro da empresa antes da crise provocada pela queda do avião e do encerramento das atividades.

Clique aqui e entenda o que cada um deverá responder.

Em nota, a Voepass disse que aguarda a divulgação oficial do relatório da PF para conhecer integralmente seu conteúdo e se manifestar.

Depois do relatório da FAB, em julho, a companhia aérea afirmou que o acidente foi o episódio mais grave de sua história e destacou que prestou apoio às famílias das vítimas desde o primeiro momento — leia a nota na íntegra abaixo.

No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso, pela primeira vez, à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave. O documento integra o laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), que embasa o inquérito da PF.

Ao final de quase 200 páginas, a conclusão do laudo da Polícia Federal é: a tragédia foi resultado da combinação entre falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em uma área de formação severa de gelo, falhas na execução dos procedimentos previstos pelo fabricante e sucessivas barreiras de segurança que deixaram de funcionar antes do voo que terminou com a morte de 62 pessoas.

O documento destaca que o acidente foi precedido por uma sucessão de falhas recorrentes que envolveram diferentes pilotos e o despachante operacional, profissional que atua no solo e auxilia no planejamento do voo.

Segundo a perícia, tripulações anteriores omitiram panes graves no diário de bordo técnico para evitar que a aeronave ficasse parada, enquanto o Despachante Operacional de Voo (DOV) liberou a decolagem mesmo com equipamentos obrigatórios inoperantes e previsão de gelo severo na rota.

A análise da PF mostrou que a tripulação convivia com falhas no sistema de degelo, e o áudio da caixa-preta revelou o piloto reclamando antes da queda: "Essa bosta não tá funcionando, né?".

Paralela à investigação da PF, o Cenipa apurou fatores que contribuíram para o acidente aéreo e divulgou um relatório. O órgão da Força Aérea Brasileira (FAB) fez dezenas de perícias para reconstruir o voo e entender a sequência de eventos que levou à queda da aeronave.

🔎 Diferentemente do relatório final do Cenipa, que busca apontar fatores contribuintes e prevenir novos acidentes, o inquérito policial tem como objetivo apurar se houve crimes e eventuais responsáveis pela tragédia.

Segundo o Cenipa, também foram analisados equipamentos responsáveis pelo controle de diferentes sistemas da aeronave e até as lâmpadas dos painéis do avião para verificar quais estavam acesas no momento da queda.

O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024.

O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando caiu no quintal de uma casa em um condomínio de Vinhedo (SP).

As 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. Nenhum morador da residência atingida ficou ferido.

Foi o acidente mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, em 2007.

"A Voepass informa que a segurança operacional sempre foi sua prioridade. Ao longo de mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, a companhia adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A empresa reforça que sua atuação sempre esteve pautada pelos mais elevados padrões de segurança da aviação, contando, desde 2012, com a certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) às companhias aprovadas em rigorosa auditoria internacional de segurança operacional.

Os treinamentos de pilotos contemplavam os procedimentos previstos para o enfrentamento de condições de formação de gelo, incluindo medidas como alteração de altitude e velocidade, conforme as orientações do fabricante da aeronave e os protocolos operacionais aplicáveis. As tripulações eram permanentemente orientadas a cumprir rigorosamente esses procedimentos, de acordo com cada cenário operacional.

A tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes, devidamente habilitados e certificados, que somavam mais de 5 mil horas de voo, com treinamentos técnicos, certificações e avaliações médicas regularmente atualizados, sem qualquer registro prévio que comprometesse sua aptidão para o exercício da função.

Desde o início das investigações, a Voepass colaborou integralmente com as autoridades, disponibilizando documentos, diários de bordo, registros operacionais e relatórios técnicos ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e à Polícia Federal. A companhia compreende que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 São Paulolink

Leia também

Mais em Regionais
Gilberto Kassab é flagrado cochilando em debate da Band
Regionais

Gilberto Kassab é flagrado cochilando em debate da Band

Gilberto Kassab, presidente do PSD e vice na chapa de Caiado, foi flagrado tirando uma soneca na plateia. Veja:O debate começou às 20h e terminou às 21h30. Caiado, Renan Santos e Augusto Cury — este último após pensar em

Em Regionais