Agressor de mulher que fez sinal universal de socorro apedrejou casa da vítima um dia após ser solto
O agressor da mulher que foi socorrida após fazer o sinal universal de socorro e receber ajuda de testemunhas em Pitanga, na região central do Paraná, apedrejou a casa da família da vítima um dia após ter sido solto.
O g1 optou por não divulgar o nome dele para proteger a identidade da vítima.
Inicialmente, ele foi detido em flagrante na tarde de segunda-feira (3), depois que invadiu a casa da mulher, a agrediu com socos, chutes e com um cabo de vassoura. Em seguida, ele a obrigou a sair com ele rumo à casa do atual namorado dela para "tirar satisfação".
No trajeto, ela fez o gesto que simboliza o pedido de socorro. Testemunhas viram e pararam para ajudá-la e levá-la até a polícia, onde o homem foi preso. A cena foi registrada por câmeras de segurança. Assista no vídeo acima.
Na terça (4), porém, o agressor foi liberado pela Justiça a pedido do Ministério Público (MP) após passar por audiência de custódia. Ele não precisou pagar fiança e, apesar de ter que cumprir algumas medidas cautelares, não foi proibido de manter contato ou se aproximar da vítima.
O g1 apurou que o autor dos ataques já tem uma passagem na polícia por violência doméstica em 2017, contra uma outra vítima. Esse inquérito foi arquivado. Em 2022, ele teve uma nova passagem pelo crime de ameaça, caso que ainda não foi julgado. Como nenhuma das denúncias contra o homem teve processo de julgamento concluído na Justiça, ele é considerado réu primário.
Questionado sobre as medidas adotadas no caso, o Ministério Público respondeu que a Justiça decidiu não impor a fiança "por entender que a medida era desnecessária diante das circunstâncias do caso concreto e das cautelares aplicadas". O órgão não respondeu por qual motivo pediu a liberdade do agressor.
Na quarta-feira (5), o homem apedrejou a casa da família da vítima, os ameaçou e danificou o carro da mulher. Após o episódio, a vítima pediu uma medida protetiva contra o agressor e ele foi preso na quinta-feira (6).
O gesto feito pela mulher é conhecido como o "sinal universal de socorro".
Silencioso, justamente para não ser percebido pelo agressor, ele consiste em deixar a mão com a palma para fora, dobrar o polegar para dentro e fechar os outros quatro dedos sobre ele. A ideia é que quem veja a situação entenda que a mulher está sendo vítima de violência e a ajude.
Segundo a Polícia Militar (PM), a mulher contou que o ex-companheiro invadiu a casa dela e a agrediu com socos, chutes e com um cabo de vassoura.
O relato aponta que ele ainda a obrigou a ir com ele até a casa do atual namorado, "para tirar satisfação" — e foi nesse trajeto que ela lembrou do sinal de socorro e conseguiu ajuda.
"A mulher tinha sido agredida pelo ex-companheiro, que tinha invadido a casa e, por questões de ciúme do atual companheiro dessa vítima, a agrediu e a levou para tomar satisfações no outro endereço, onde reside o atual companheiro da vítima. Nesse percurso entre a casa da vítima e a casa do atual companheiro, foi que ela conseguiu pedir ajuda através de sinais ao indivíduo que passava na rua", detalhou o delegado William Gama Assunção.
Testemunhas que passavam de carro pelo local viram o sinal, pararam o veículo e abordaram o casal. As testemunhas notaram que a mulher apresentava lesões aparentes e, ao ser questionada, a vítima pediu que a polícia fosse acionada.
Ela entrou no carro e o agressor quis acompanhá-la. Eles foram até a Companhia da Polícia Militar de Pitanga, onde a corporação constatou que se tratava de um caso de lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar.
O agressor alegou que houve uma discussão e afirmou que as agressões foram mútuas.
A vítima foi encaminhada ao hospital para atendimento médico.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Paraná, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.